<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134</id><updated>2011-12-06T15:38:22.868-08:00</updated><title type='text'>o que eu também não entendo</title><subtitle type='html'>incertezas sobre quase tudo</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>68</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-4191659628375800855</id><published>2011-12-01T09:04:00.000-08:00</published><updated>2011-12-01T09:09:00.891-08:00</updated><title type='text'>Como a Aids entrou na minha vida – e por que eu sempre me lembro dela</title><content type='html'>Escutei pela primeira vez a palavra “Aids” na sala da minha casa. Uma prima adolescente passava férias em Santos com uma amiga. Elas se arrumavam para uma balada quando minha mãe, psicóloga, as chamou para uma conversa. Tinha nas mãos uma banana e uma camisinha. Perguntadeira que só, fui me aproximando e quis entender por que ela vestia a fruta com aquela roupa de plástico e falava sobre umas tais DSTs (doenças sexualmente transmissíveis). Achei a aula improvisada tão genial que alguns meses depois resolvi falar sobre o assunto em um trabalho da disciplina de Ciências. Detalhe: eu estava na quinta série, não tinha mais que onze anos de idade, e a escola era de freiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-V31i8brCR6w/Tte0jK3sZLI/AAAAAAAAAO8/IrIfeYLU6Rw/s1600/m%25C3%25A3e.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 263px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-V31i8brCR6w/Tte0jK3sZLI/AAAAAAAAAO8/IrIfeYLU6Rw/s320/m%25C3%25A3e.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5681207971257541810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe me ajudou a montar as cartolinas e descolou caixas de camisinha. A ideia era impressionar, distribuindo-as para a classe. Lembro até hoje da cara de espanto da professora e dos risinhos maliciosos dos meus amigos. Na saída para o recreio, dezenas de bexigas de camisinha sobrevoavam o pátio católico. Fui parar na diretoria e escapei de uma suspensão assim: “Tia, eu não tenho vergonha do que fiz. Minha mãe vê gente morrer todos os dias por causa dessa doença, sabia?” Eu cresci e minha mãe continuou no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), dando diagnóstico e apoio a quem se descobriu HIV positivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 19 anos ela faz isso, o que me enche de orgulho e de curiosidade pelas histórias cotidianas. Não foram raras as vezes em que a vi chegar arrasada do trabalho. Um dia chegou com alguns docinhos em casa. “Fizemos uma festa no ambulatório. O bebê da G* não é soropositivo!” Esse episódio completou dez anos. Hoje, no Dia da Luta Mundial contra a Aids, liguei para essa paciente que minha mãe acompanhou tão de perto. Dona de casa, ela está com 40 anos e mora na Baixada Santista. Prefiro deixar que ela mesma conte sua história:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tinha 30 anos e trabalhava em uma creche quando descobri que estava grávida do meu quarto filho. Havia pouco tempo que tinha feito as pazes com o meu marido: ficamos casados por sete anos, nos separamos por seis meses e voltamos. Fomos ao posto de saúde para fazer o pré-natal. Então me pediram para refazer um exame de sangue por conta de uma “alteração”. Não sabia que era o teste de HIV, mas achei estranho.&lt;br /&gt;Pegamos o resultado e meu marido leu o diagnóstico: POSITIVO. Entramos em desespero porque já tínhamos uma ideia do que aquilo significava. Perdi o chão, era como se a minha vida acabasse ali. Eu me sentia um lixo, tinha nojo de mim. Fomos encaminhados ao CTA para que ele fizesse o teste também. Deu negativo. Só aí descobri que tinha pegado o vírus do homem com quem me relacionei no período em que estávamos separados. O filho era do meu marido, mas o vírus era de outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mãe me ouviu e me aconselhou com dignidade e respeito. Sem esse acolhimento, garanto que não estaria aqui para dar esse depoimento. Eu só pensava que o nosso bebê poderia ser infectado por um erro que cometi. Ele chorou muito, mas ficou do meu lado. Tive tanto medo que me rejeitasse! Precisei tomar vários remédios, passei mal durante toda a gestação, tive parto normal mas não pude amamentar. O leite poderia infectá-lo, isso se ele tivesse conseguido se safar do vírus. Os testes de HIV dele deram positivo por um ano, pois eu tinha transmitido anticorpos. Até que veio o aguardado resultado negativo de L* e foi uma festa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ele tem dez anos, mas nem desconfia do risco que correu. Aliás, meu marido é a única pessoa que sabe que tenho Aids. Hoje, tenho uma vida relativamente normal. No início, cheguei a ficar quatro meses sem sexo porque temia infectá-lo. Os grilos passaram com o tempo: usamos todos os tipos e sabores de camisinhas. Este ano deixei de tomar o coquetel por conta própria. Estava cansada. Perdi 50 quilos em nove meses e agora estou me recuperando. O que eu diria para alguém que faz sexo sem camisinha? Nenhum momento de prazer vale mais que a vida. As consequências são duras demais e não há como voltar atrás”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre 1980 e junho de 2011, 608.230 pessoas foram infectadas com o vírus da Aids no Brasil. Em São Paulo, só no ano de 2010, a doença matou 9 pessoas por dia. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhores serão o tratamento e a qualidade de vida. Os testes são gratuitos e sigilosos nos CTAs de todo o país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-4191659628375800855?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/4191659628375800855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=4191659628375800855&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4191659628375800855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4191659628375800855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2011/12/como-aids-entrou-na-minha-vida-e-por.html' title='Como a Aids entrou na minha vida – e por que eu sempre me lembro dela'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-V31i8brCR6w/Tte0jK3sZLI/AAAAAAAAAO8/IrIfeYLU6Rw/s72-c/m%25C3%25A3e.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-1492276309832515021</id><published>2011-11-15T12:41:00.000-08:00</published><updated>2011-11-15T14:12:24.376-08:00</updated><title type='text'>Ao amor da minha vida - ou o que eu tenho para te dizer depois de um ano morando juntos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-A7damQUlYMM/TsLPLJvc-yI/AAAAAAAAAOw/LNEOxjr21x8/s1600/nath_fe_casamentograndin.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-A7damQUlYMM/TsLPLJvc-yI/AAAAAAAAAOw/LNEOxjr21x8/s320/nath_fe_casamentograndin.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5675326270940707618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As portas dos armários estavam escancaradas, feito o medo que você não podia disfarçar. Eu havia espanado a poeira na noite anterior e deixado as janelas abertas para você entrar de vez na minha vida. Na casa que, então, seria nossa. Já morávamos juntos, no mínimo, quatro vezes por semana. Mas não dividíamos decisões nem contas nem espaços. Vez em quando, você se esparramava numa suíte só sua na casa dos seus pais e eu saboreava algum livro, horas a fio, em silêncio. Namoramos cinco anos e pouco assim. E foi muito bom – até ficar insuficiente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não queria mais ir embora e eu não queria que você fosse. Lembro daquela cena de novo: sentado na beirada da cama, você olhava para as malas trazidas de Interlagos. As roupas milimetricamente ajeitadas pareciam implorar para serem levadas de volta. Era mais confortável e cômodo lá, onde eram lavadas e amaciadas e passadas e penduradas com capricho de avó. Quem abriria mão de um mimo desses? Eu também temi perder a minha independência. Um ano depois, enquanto refogo a cebola para o arroz hoje livre do alho pelo seu paladar, vejo você tirar da máquina umas cuecas desgrenhadas e sem o branco alvejante de antes. Você pesca uma calcinha minha e assobia com cara de safado ao estendê-la. Fico amarrotada de tanto rir e penso que casamento também é feito dessas pequenas alegrias cotidianas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse jeito com que você aumenta o som às dez da noite, abre uma cerveja gelada e coloca amendoins na minha boca porque eu fico irritada cozinhando com fome – principalmente depois de um dia de trabalho. E você sabe disso antes que eu precise falar. Aprendemos a reconhecer no outro a menor expressão de cansaço, frustração, raiva. Damos uma garfada na salada e contamos sobre o dia nas redações. Antes da sobremesa, já comentamos sobre o vídeo mais engraçado da internet, a notícia absurda, o futuro do personagem na novela, os rumos do Timão num campeonato qualquer. Saio alimentada dessas conversas rotineiras, deliciosas porque reafirmam a nossa cumplicidade. Você deita na cama e escorrega o braço pelas minhas costas, me trazendo para o seu peito fresquinho, ainda com cheiro de sabonete. E você sempre diz: “passei o dia inteiro esperando por isso, preta”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias adormeço em minutos, você liga o videogame e passa a madrugada na companhia de uns jogadores virtuais. Noutros, nos enroscamos e bagunçamos os lençóis até mais tarde. Acordo invariavelmente remelenta, descabelada e com bafo. Você, a alguns centímetros de mim, diz que sou a coisa mais linda desse mundo e eu finjo que acredito. Repara quando tiro três pelos da sobrancelha, chama meus dedos do pé de “uvinha” quando pintados de escuro, beija minha nuca enquanto escovo os dentes, abre a porta do carro mesmo debaixo de chuva. Anda atrás dos meus pés descalços pedindo que bote os chinelos, fecha as cortinas enquanto passeio distraída e seminua, volta para casa no meio do caminho porque esqueci a chave na portaria e acabei trancada do lado de dentro. Eu cheiro a pinta da sua barriga em sinal de “bom dia” todas as manhãs, faço uma dancinha quando você chega em casa, fico parada na porta do banheiro para te ouvir cantando sob o chuveiro. Odeio quando você erra um caminho, quando fica estressado no trânsito e desconta em mim, quando gagueja ao contar uma mentira, quando, por causa da timidez, acaba parecendo arrogante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos muitas piadas internas, né, Claudionor? Me assusta dizendo que está com dor porque levou um golpe de ar da geladeira vazia e se irrita com o meu vai-vem desordenado entre os corredores do supermercado ("parece um motoboy maluco, cortando todo mundo!"). Quando eu fico de mau-humor porque Interlagos é mais longe que a Conchinchina, você vira ator e me chama de mulher ingrata, acusa que o bairro me deu dois amores da minha vida: você e a bel, nossa filhota canina. “E você, Nathalia, o que deu a Interlagos?” É piada velha, mas eu gargalho sempre. Se surto por algum motivo besta, você abre a janela do carro e diz que deve estar faltando oxigênio no meu cérebro. Eu rio de novo. É espontaneamente bem-humorado e generoso, não se acha dono da verdade nem possui tom professoral. Hoje erro menos porque valorizo mais. Não há jeito de brigar com você, mas eu tento com afinco às vezes. Você respeita (e é adorado) pelos meus amigos homens, entende que as vivências passadas propiciaram o nosso encontro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem prefira paixão incendiária, imprevisível. &lt;br /&gt;Eu só quero a sorte do nosso amor tranquilo. &lt;br /&gt;Para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-1492276309832515021?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/1492276309832515021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=1492276309832515021&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1492276309832515021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1492276309832515021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2011/11/ao-amor-da-minha-vida-ou-o-que-eu-tenho.html' title='Ao amor da minha vida - ou o que eu tenho para te dizer depois de um ano morando juntos'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-A7damQUlYMM/TsLPLJvc-yI/AAAAAAAAAOw/LNEOxjr21x8/s72-c/nath_fe_casamentograndin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-7466527112740818857</id><published>2011-10-31T11:33:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T11:38:06.250-07:00</updated><title type='text'>O dia em que me descobri cega</title><content type='html'>De todas as alegrias proporcionadas pela profissão que escolhi, a melhor delas é poder visitar universos que me são desconhecidos. E perguntar e me intrometer – acho que escolhi o jornalismo só para tê-lo como desculpa, caso achassem a minha curiosidade inconveniente. Melhor ainda quando consigo vestir a pele do outro. Por alguns dias, horas, instantes. Fiz isso na semana passada, durante a primeira aula prática de uma turma muito especial da Fundação Dorina Nowill, instituição filantrópica para deficientes visuais (confira o vídeo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://youtu.be/KZSyvikORG8 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde agosto, os dez alunos do curso de Avaliação Olfativa, cegos ou com baixa visão (menos de 30% da capacidade de enxergar), estão sendo preparados para o mercado de trabalho. Eles poderão atuar como especialistas em perfumaria, área em que o Brasil é líder mundial no quesito consumo. Ao término de um ano e meio, serão capazes de identificar os ingredientes que compõe uma fragrância e dizer se ela é agradável ou não. Assim como um enólogo é capaz de reconhecer sabores em um determinado vinho e criticá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quinta-feira passada, a turma foi levada pela professora Renata Ashcar para o mercado de flores do Largo do Arouche e o Mercado Municipal de São Paulo, ambos no Centro. Eu estava lá, doida para viver aquela experiência também. Me aproximei de uma japonesinha tímida, de 17 anos, sorridente depois de descobrir o perfume de uma angélica e ouvir da professora que ele sempre foi ligado à sensualidade. “Se eu botar uma venda nos olhos, você me guia?”, eu disse, já tendo reparado a habilidade dela com a bengala. Marina pareceu desconcertada com a minha vontade de trocar aqueles coloridos todos que ela não alcança por algumas horas monocromáticas – há cinco anos, um tumor no cerebelo lhe tirou a visão. Mas ela me estendeu o braço direito e, em seguida, tudo ficou escuro para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuro e quase sem odor, graças a uma sinusite que entupiu minhas narinas assim que acordei naquela manhã. Lembro que logo nos estenderam um flor de cabo longo e, por mais que me esforçasse, precisei da dica de Marina para descobrir que se tratava de um cravo. “Combina com canela”, ria de mim. Desde que ficou cega, ela contou que o pai tenta apurar seu olfato, brincando de adivinhações enquanto cozinha:  “coentro ou salsinha, minha filha?”. Alguém se aproximou com um vaso de hortelã e ela falou em chiclete. Depois, captei o cheiro de manjericão e me veio à cabeça um pedaço de pizza marguerita. Nos levaram a um balde com lírios e pensei em cemitério. Curioso como, sem a visão, tudo ganha outras dimensões e mais significados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi difícil sair dali. Andar sem ajuda dos olhos é pisar temendo aquela pancada do dedo mindinho numa quina ou um buraco que nos leve ao chão num passo besta. Os sons mais banais são assustadores – o helicóptero que sobrevoava a região, a sirene de ambulância, alguém discutindo no telefone, a buzina que parecia ter passado “tirando uma fina” de nós. Era como se o barulho do mundo tivesse se hospedado nos meus ouvidos, aflorados como nunca. Marina tateava minha insegurança com uma delicadeza ímpar, apontando um degrau à frente e me desviando de obstáculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bruna, colega de Marina no curso, fez piada: “Para-choque de cego é a testa. Todos nós odiamos orelhão – desviamos do poste que o sustenta, mas sempre batemos a cabeça na cabine!”. Todos se divertiram, mas fiquei sem graça. Só depois percebi o quanto o humor deles sobre os próprios limites consegue iluminar e trazer leveza aos dramas cotidianos. No estacionamento do Mercadão, andando por entre os carros, dei inúmeras barrigadas em espelhos retrovisores. Lá dentro, bem na entrada, ventania de fritura e pastel de bacalhau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sem ver, sabia que tínhamos nos tornado o centro das atenções. Sentia os olhares alheios pesando sobre os meus ombros. Ouvia pessoas comentarem, com dó, sobre a nossa condição. Tive vontade de dizer que éramos todos cegos, não surdos. Marina minimizava a minha revolta: “Relaxa, estou acostumada”. Ela, que estuda o terceiro ano de um tradicional colégio paulistano, que deve prestar vestibular para jornalismo e psicologia, que viaja para curtir aventuras como rafting e tirolesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda fase da aula, a professora nos posicionou ao lado de uma barraca. Tentei me concentrar, pedir ao cérebro que definisse os aromas flutuantes no ar. Era uma salada de frutas, mas o frescor das mangas se sobressaía. Uma voz grossa e simpática, nos ofereceu uma fatia de tangerina sem caroço. Mordi os gomos e decretei: “Marina, é a melhor tangerina que provei em toda a minha vida”. E ela lembrou como meu paladar devia estar sensível com a experiência. Sem saber quem estava ao redor, me dirigi ao cinegrafista: “Gabo, meu dente está sujo?”, mostrando os dentes. “Me passa um guardanapo?”, insisti. “Gabo? Tem alguém aqui?”, fiquei no vácuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na degustação às cegas, seguiram-se abacaxi, pêra-nashi, pitaia, morango, ameixa… A professora de avaliação olfativa comentou que o pêssego cheirado e saboreado há pouco é muito usado pela Victoria Secrets na composição de seus cosméticos. E o cupuaçu, aquele troço azedo e gosmento que havíamos experimentado, em shampoos de marcas como Natura. Era a primeira aula prática, mas a classe têm dois encontros por semana, com quatro horas de duração cada. Depois de um ano de curso, os alunos terão seis meses de estágio na indústria Tânia Bulhões Perfumes, empresa que patrocina o curso. Renata encerrou o dia em uma barraca de especiarias e temperos, apresentando cominho, louro, pimenta etc. Os comerciantes baixavam os toldos, o expediente havia acabado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só então, quase três horas desde o momento em que coloquei a venda, me permiti tirá-la. Os olhos ardiam com a luz de fim de tarde que atravessava as vidraças do Mercadão. A cabeça doía. Uns curiosos espiavam a minha reação. Secretamente, tudo que eu desejava era poder tirar também a venda dos olhos de Marina. “Como você acha que eu sou?”, eu quis saber. Ela esticou os lábios e, com sua voz doce e baixinha, arriscou gentilmente: “Bonita”. Bonita é a superação de Marina e seus colegas. A iniciativa de capacitá-los para o mercado de trabalho. E isso eu espero que qualquer um, principalmente eles próprios, consigam enxergar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-7466527112740818857?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='' href='http://youtu.be/KZSyvikORG8' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/7466527112740818857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=7466527112740818857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7466527112740818857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7466527112740818857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2011/10/o-dia-em-que-me-descobri-cega.html' title='O dia em que me descobri cega'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-951036305396667097</id><published>2011-01-10T14:17:00.000-08:00</published><updated>2011-01-10T14:41:55.380-08:00</updated><title type='text'>Reflexões de uma quase sem-teto (ou como meu prédio torto voltou ao prumo)</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Era uma casa muito engraçada, a minha. Porque não foi feita com muito esmero, na década de 1960, deu para entortar. Naquela época, os engenheiros ignoraram que o solo de Santos é um dos piores do mundo e ergueram dois prédios de 17 andares, em frente à praia, apoiado em uma base rasa, argilosa e mole. Com o tempo, o condomínio Núncio Malzoni foi pendendo para o lado: alcançou um desaprumo de 2,10 metros, virando atração turística na cidade. Eu morava no prédio mais torto de Santos. Cresci com essa referência e com os pedidos de amigos durante o recreio, num misto de curiosidade e zombação: “Me leva para conhecer seu apartamento?”&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuHyLJHWRI/AAAAAAAAAOA/e2p301Jea1U/s1600/info.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 300px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuHyLJHWRI/AAAAAAAAAOA/e2p301Jea1U/s320/info.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560687460973238546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Enquanto eu realizava um tour pela minha casa, no 11 andar, listava as bizarrices que me eram tão normais e familiares. Tinha até uma bolinha separada na sala para mostrar que, ao ser colocada no chão, ela invariavelmente rolava. Mostrava a água que empoçava no box do chuveiro, na banheira e nas pias. O quadro que cismava em ficar desalinhado. As portas que batiam quando não a segurávamos. E contava que o morador de cima tinha um relógio de pêndulo que quebrava direto, que minha mãe dormia de “ponta-cabeça” na cama para não sentir a pressão do desaprumo, a bisavó tinha tonturas quando andava por ali e etc, etc, etc. Por um período, cogitei cobrar ingresso. Papai não deixou: achou que seria abusivo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuHlBjOPoI/AAAAAAAAAN4/CGEhVyEZI6E/s1600/predio_inclinado2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 226px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuHlBjOPoI/AAAAAAAAAN4/CGEhVyEZI6E/s320/predio_inclinado2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560687235060088450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Viver em prédio torto nunca foi privilégio exclusivo dos moradores vizinhos à Pinacoteca de Santos. Eram cerca de 90 edifícios na cidade com algum nível de desaprumo. Em 1995, um laudo do IPT entregue à prefeitura indicou que o recalque estava grande demais e poderia colocar em risco a vida das pessoas. Por pouco não houve uma interdição por “colapso iminente” – quase fui uma “sem-teto”. Lembro que algumas reportagens publicadas sugeriam que haveria um “efeito dominó” na orla, caso a minha casa tombasse sobre o edifício vizinho. Não bastasse o burburinho danado, o síndico Ari e o engenheiro Carlos Eduardo Maffei anunciaram que um plano para desentortar os edifícios estava em andamento.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuIIBlPg8I/AAAAAAAAAOI/L8yQqmC2FGc/s1600/inclinacao.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 211px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuIIBlPg8I/AAAAAAAAAOI/L8yQqmC2FGc/s320/inclinacao.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560687836363981762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CHPDV5%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="Preview" href="file:///C:%5CUsers%5CHPDV5%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_preview.wmf"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:documentproperties&gt;   &lt;o:version&gt;12.00&lt;/o:Version&gt;  &lt;/o:DocumentProperties&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CHPDV5%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CHPDV5%7E1%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT-BR&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:splitpgbreakandparamark/&gt;    &lt;w:dontvertaligncellwithsp/&gt;    &lt;w:dontbreakconstrainedforcedtables/&gt;    &lt;w:dontvertalignintxbx/&gt;    &lt;w:word11kerningpairs/&gt;    &lt;w:cachedcolbalance/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;   &lt;m:mathpr&gt;    &lt;m:mathfont val="Cambria Math"&gt;    &lt;m:brkbin val="before"&gt;    &lt;m:brkbinsub val="&amp;#45;-"&gt;    &lt;m:smallfrac val="off"&gt;    &lt;m:dispdef/&gt;    &lt;m:lmargin val="0"&gt;    &lt;m:rmargin val="0"&gt;    &lt;m:defjc val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent val="1440"&gt;    &lt;m:intlim val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim val="undOvr"&gt;   &lt;/m:mathPr&gt;&lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" defunhidewhenused="true" defsemihidden="true" defqformat="false" defpriority="99" latentstylecount="267"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="0" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Normal"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="heading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="9" qformat="true" name="heading 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 7"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 8"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" name="toc 9"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="35" qformat="true" name="caption"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="10" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" name="Default Paragraph Font"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="11" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtitle"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="22" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Strong"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="20" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="59" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Table Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Placeholder Text"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="1" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="No Spacing"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" unhidewhenused="false" name="Revision"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="34" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="List Paragraph"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="29" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="30" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Quote"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 1"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 2"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 3"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 4"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Font Definitions */  @font-face 	{font-family:"Cambria Math"; 	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; 	mso-font-charset:1; 	mso-generic-font-family:roman; 	mso-font-format:other; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;} @font-face 	{font-family:Calibri; 	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; 	mso-font-charset:0; 	mso-generic-font-family:swiss; 	mso-font-pitch:variable; 	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-unhide:no; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	margin-top:0cm; 	margin-right:0cm; 	margin-bottom:10.0pt; 	margin-left:0cm; 	line-height:115%; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-language:EN-US;} .MsoChpDefault 	{mso-style-type:export-only; 	mso-default-props:yes; 	font-size:10.0pt; 	mso-ansi-font-size:10.0pt; 	mso-bidi-font-size:10.0pt; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-fareast-font-family:Calibri; 	mso-hansi-font-family:Calibri;} @page WordSection1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.WordSection1 	{page:WordSection1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-priority:99; 	mso-style-qformat:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:11.0pt; 	font-family:"Calibri","sans-serif"; 	mso-ascii-font-family:Calibri; 	mso-ascii-theme-font:minor-latin; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-theme-font:minor-fareast; 	mso-hansi-font-family:Calibri; 	mso-hansi-theme-font:minor-latin; 	mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; 	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pioneiro, o projeto levou dois anos e meio para ser concluído. Para resumir, a idéia consistia em fazer fundações de 60 metros, onde o prédio seria apoiado em uma camada rochosa, e movimentá-lo com ajuda de macacos hidráulicos (num mecanismo parecido com a troca de pneus de um carro). Meu pai foi contratado como engenheiro responsável pela obra, que começou em meados de 1998 e custou dois milhões de reais. Na escola, quebrei o pau algumas vezes quando diziam que ele era maluco. Depois corria para chorar no banheiro, ofendida e amedrontada. Desconfio que meu pai também tenha achado que era maluco – e chorado escondido. Em janeiro de 2001, os últimos milímetros foram renivelados. Estouramos uma champagne. E transbordamos de orgulho, juntos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuIqpInipI/AAAAAAAAAOQ/uBaBKUn3M2Q/s1600/macacos_hidraulicos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 217px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuIqpInipI/AAAAAAAAAOQ/uBaBKUn3M2Q/s320/macacos_hidraulicos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560688431096892050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Era uma vitória, mas nós ainda não sentíamos os efeitos práticos da novidade. Morávamos no bloco de trás, ainda desaprumado. E estranhos continuavam me parando no portão, cheios de perguntas e doidos para serem convidados a conhecer meu apartamento. De lá para cá, muita areia mudou de lugar em frente à nossa janela. Eu e minha irmã saímos de casa e descobrimos uma vida “reta”. Houve uma separação que abalou todas as nossas estruturas. E há duas semanas, depois de anos de negociações para reunir toda a verba necessária à segunda obra, o meu prédio deixou de ser um cartão postal às avessas. Não será mais fotografado como se fosse sua ilustre concorrente italiana, a Torre de Pisa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuI9_ERMCI/AAAAAAAAAOY/08fca2le8xg/s1600/pisa.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuI9_ERMCI/AAAAAAAAAOY/08fca2le8xg/s320/pisa.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560688763401744418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;O engraçado é que não me reconheço na casa em que vivi por dezoito anos. Ando esquisito, me pego olhando para o galão de água que não revela mais o desnível, seguro portas que não batem mais. Vou demorar uns meses para me adaptar. O prédio foi consertado, mas estávamos tão acostumados à antiga posição dele que o correto agora parece contraditoriamente estranho. A obra deveria incluir o alinhamento de seus moradores, arraigados aos hábitos de antes. Pensei muito no que a conclusão desse processo que durou quinze anos significa para nós, simbolicamente. Sem bases sólidas e profundas, é mesmo difícil resistir (ao tempo, à dor, à solidão...). A gente balança, entorta, enverga, quase cai. Mas, com esforço legítimo, sempre dá para voltar ao prumo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuJMkrTLkI/AAAAAAAAAOg/KLb1YQVM0b8/s1600/333.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuJMkrTLkI/AAAAAAAAAOg/KLb1YQVM0b8/s320/333.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560689014015733314" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-951036305396667097?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/951036305396667097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=951036305396667097&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/951036305396667097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/951036305396667097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2011/01/reflexoes-de-uma-quase-sem-teto-ou-como.html' title='Reflexões de uma quase sem-teto (ou como meu prédio torto voltou ao prumo)'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TSuHyLJHWRI/AAAAAAAAAOA/e2p301Jea1U/s72-c/info.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-1691124041210589245</id><published>2010-09-10T13:51:00.000-07:00</published><updated>2010-09-10T14:06:35.969-07:00</updated><title type='text'>Da poesia cotidiana</title><content type='html'>Ontem, enquanto caminhava na estação da LUZ, uma grávida de 17 anos entrou em trabalho de parto. Dentro do banheiro do metrô, a criança chegava ao mundo pelas mãos de Felicidade, funcionária da empresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/09/parto-de-adolescente-e-feito-dentro-de-banheiro-na-estacao-da-luz.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-1691124041210589245?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/1691124041210589245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=1691124041210589245&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1691124041210589245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1691124041210589245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2010/09/da-poesia-cotidiana.html' title='Da poesia cotidiana'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-3476755539367508217</id><published>2010-08-19T11:38:00.000-07:00</published><updated>2010-08-19T11:57:39.632-07:00</updated><title type='text'>Feijão queimado e fome virtual: o domingo em que minha vó descobriu a internet</title><content type='html'>O feijão tá queimando no fogão, alguém berrou da cozinha. E ela nada. Só eu alcancei seu sorriso de menina atrevida: a panela podia virar carvão naquele almoço de domingo. Que ela não se importava – e em algum lugar devia estar escrito que tinha todo o direito. Imagine: demorou setenta anos para descobrir um computador e agora ia trocar o mouse por uma colher para refogar? Nem a (de) pau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô, vó, esse “êzinho azul” aqui é o símbolo da internet. Tá vendo? É só clicar nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse, apontando o ícone. Prontamente, ela seguiu meu gesto. E enfiou o indicador (que tantas vezes checou o interior de bolos saídos do forno) na tela do computador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, querida. Não é “touch screen” como esses celulares modernosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi um rosadinho se esparramar em suas bochechas. Fiz que não vi. Oras, vovó nunca me recriminou por não saber abrir a tampa da panela de pressão ou bater clara de ovos. Guiamos juntas a tal setinha, danada por passear mais rápida que seus reflexos. É que, atrás dos óculos, seus olhos ainda se acostumam à nova paisagem. Tão rica em pequeninos detalhes, tão cheia de movimentos. E de possibilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5507195346736397682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TG18_U7oPXI/AAAAAAAAANk/Gqmy7ZDWeFE/s320/CIMG0331.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Perguntou se podíamos encontrar uma receita de pudim no site da Ana Maria Braga e se dava para espiar o “tuílton” do Luciano Huck. Quis saber se conseguia abrir o email dela naquele computador, já que a conta havia sido criada em outro. Ah, quanto havia acumulado na Nota Fiscal Paulista? Leu matérias da Folha, babados de celebridades e o blog da neta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esse aqui é o Youtube, dona Kilza. Digite aí “Roberto Carlos”.&lt;br /&gt;- Meu Deus! Tem 14 vídeos dele!&lt;br /&gt;- Não vó. São 14 só nesta página. No total, são 349 mil vídeos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrédula, ela calculou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas nem que eu assista um por dia... vixe, vou morrer e ainda vai sobrar um monte para ver, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspirava, não cabia em si. Como é que aquele mundo caberia nela? Daria um jeito, isso era certo. Algumas horas de treino e um almoço depois, vovó continuava intrigada. Digeriu o feijão, mas não as dúvidas – lembrou que novidades alimentam a alma da gente, mas também deixam um gostinho de insegurança. E então ela não se aguentou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nath, uma amiga me disse que é perigoso mexer na internet. Você me ensina a matar vírus?&lt;br /&gt;- Ih, vó... isso aí eu ainda tô aprendendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps1. Uma semana mais tarde, ela me ligou para contar que já tinha feito 12 amigos no Orkut. Desliguei com o sorriso de menina atrevida que vi naquele dia. Vovó não sabe o que sua alegria significa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ps2. Domingo passado, dei um GPS de presente ao vovô de 80 anos. Vive ganhando mais cabelinhos brancos toda vez que se perde em São Paulo. Então descemos para uma volta de carro: era preciso ensinar o funcionamento na prática. Liguei o aparelho enquanto ele dirigia. O troço foi logo berrando com ele: "Você está acima do limite de velocidade". Vovô se assustou e gargalhou. "Como ele sabe? Ô louco... Pior que a dona Kilza!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-3476755539367508217?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/3476755539367508217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=3476755539367508217&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3476755539367508217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3476755539367508217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2010/08/feijao-queimado-e-fome-virtual-o.html' title='Feijão queimado e fome virtual: o domingo em que minha vó descobriu a internet'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/TG18_U7oPXI/AAAAAAAAANk/Gqmy7ZDWeFE/s72-c/CIMG0331.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-5780242282753958787</id><published>2010-08-13T16:04:00.000-07:00</published><updated>2010-08-13T16:05:37.146-07:00</updated><title type='text'>De novo. E de novo.</title><content type='html'>Da Cris Guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu aprendi sobre o amor, filho, é que ele é feito de faltas e presenças. E que nenhuma das duas pode faltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi que o amor é feito de liberdade. É como ter, todos os dias, muitas outras opções. E ainda assim fazer a mesma livre escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessas pequenas vitórias se faz a alegria de amar e ser amado. Descobrir no olhar do outro que você foi escolhido de novo. E de novo, mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também aprendi que o amor interrompido em seu auge permanece bonito para sempre. O que pode ser muito doído ou pode ser um presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depende de como a gente quer guardar. Depende de como a gente quer seguir.(...)"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-5780242282753958787?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/5780242282753958787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=5780242282753958787&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5780242282753958787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5780242282753958787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2010/08/de-novo-e-de-novo.html' title='De novo. E de novo.'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-3647552101859919207</id><published>2010-07-14T10:24:00.000-07:00</published><updated>2010-07-14T12:22:32.189-07:00</updated><title type='text'>Devolvam a minha concha</title><content type='html'>“Noite passada, fiz como você nunca entendeu. Apaguei a luz do abajur e me encolhi, caramujo, no canto esquerdo da cama enorme que sempre quis ter. Um desperdício para você, que vive se esparramando. Uma ironia pra mim, líder de revoluções por mais espaço e liberdade e independência e autonomia. Aquela história que a mãe repete só pode ser verdade: devo ter mesmo me sentido sufocada na barriga dela, adiantei a hora do parto com chutes tão impacientes que não houve tempo de lhe anestesiarem. Mas isso foi há mais de 23 anos. Estou falando de ontem e de um silêncio profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não teve graça, irmã. Não ouvi o ranger da tua cama vagabunda ao lado – só pra eu saber que te mexias perto. O pai não dormia no sofá da sala com os óculos apoiados no peito e a tevê ligada. Por onde é que a mãe andou arrastando suas pantufas velhas atrás de um copo d’água que não a vi? A Bel confundi com um cobertor peludo, dobrado na altura dos pés. Eu, que passei infância e adolescência odiando dividir o quarto contigo e o único com banheiro da casa com a família toda, estava plenamente sozinha em 80 metros quadrados. E, não sei se foi a sonolência, mas tive a impressão de que eram oito mil metros quadrados – tamanha a falta que vocês (juntos) me fizeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive vontade de puxar conversa no escuro como quando pequenas, no castigo, depois de tirá-los do sério. Brigávamos todas as noites, correndo aos berros e nos xingando, inconformadas por não encontrar na outra sequer meia afinidade. Enxergamos, por muito tempo, apenas as diferenças. Às vezes desconfio que nosso pai calibrava a intensidade das palmadas para que ardessem igualmente em nós duas. Não adiantava. “O meu vergão tá muuuuito maior que o seu”, eu provocava. “Lógico, tu é mais branca, tem que estar mais vermelho mesmo”, tu respondia, apoiada no travesseiro ensopado. A competição seguia até que nos percebíamos cúmplices na dor e no erro. Então bolávamos estratégias e chantagens emocionais para nos livrarmos da punição. Pela fresta da porta, alternávamos a coragem e a voz falsamente chorosa: “Paiêêê... a gente já fez amizade. Pode sair do castigo?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a adormecer, Mari, com uma cena curiosa na cabeça. Estávamos nós quatro trancados em algum lugar, cada um sentado numa quina. Passamos um longo tempo fungando o choro e engolindo a mágoa, sem trocar palavra. Eu esbarro no interruptor e vemos nossos vergões. Estamos todos muito, muito mais machucados. Primeiro nos acusamos, medindo e disputando o tamanho de nossas marcas. Depois descobrimos que a dor é a mesma e pedimos, uns aos outros, permissão pra sair desse castigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pior é que, nesta parte, eu já devia estar sonhando”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-3647552101859919207?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/3647552101859919207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=3647552101859919207&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3647552101859919207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3647552101859919207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2010/07/devolvam-minha-concha.html' title='Devolvam a minha concha'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-4817602742371513201</id><published>2010-05-20T20:57:00.000-07:00</published><updated>2010-05-20T22:46:24.022-07:00</updated><title type='text'>Porque o amor sempre bate um bolão</title><content type='html'>Estou batendo um bolão. É o que tenho dito aos colegas de redação que, com um riso contido no canto dos lábios, duvidaram que eu pudesse escrever sobre futebol. Vejam só que injustiça: muito antes de receber da minha editora uma pauta sobre as Copas do Mundo, poderia usar tampinhas de cerveja para explicar as regras do impendimento. Mas é bem verdade que não acompanho jogos e costumo esconder meu lado meio-corinthiana-meio-são-paulina. Torci bonito o nariz ao voltar de férias e receber a missão de entrevistar ídolos da seleção brasileira (cujos nomes, confesso, eu mal lembrava). Mas, ah, grata surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, eu vou contar uma história de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gylmar dos Santos Neves foi o homem solitário sob as traves na Copa do Mundo de 1958. Esguio, mãos firmes, elasticidade para dar grandes voos e bloquear as investidas contra o gol brasileiro. Depois de erguer a taça de campeão na Suécia e encontrar uma inédita euforia nacional no desembarque, o rapaz de 27 anos ganhou direito à férias. Foi para Lindóia, destino badalado da época. E se deu aquele furor no hotel: os homens assediavam o goleiro e as mulheres, o galã. Gylmar só queria saber de uma menina linda que se banhava na piscina. Observou a grande área livre, estufou o peito e preparou a coragem para o tiro de meta. Oras, se podia agarrar bolas chutadas por robustos tchecos, seria forte o sufiente para puxar conversa. Assim o fez - e ganhou alguns sorrisos. Acontece que tinha um pai libanês na marcação. "Desde quando criei filha minha para jogador de futebol?", dizia, retrógrado. Enfurecido com o ataque abusado, decidiu apelar e mandou que a família arrumasse as malas, pois estavam de partida. Gylmar e Rachel trocaram olhares e ficaram no 0 x 0 mesmo. De todo jeito, se descobriria depois, haveria um impedimento: a moça já estava prometida para outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5473593045152050274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 227px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/S_Yb381WLGI/AAAAAAAAAM4/H0QUxd2JCj4/s320/gilmar-615-copa-58-superinteressante-1g.jpg" border="0" /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como torcida é torcida (e tira até o timão da série b), os irmãos de Rachel se mobilizaram para ajudar o namoro às escondidas. Não que achassem o amor coisa sublime - eram corinthianos fanáticos e adoraram a proximidade de um ídolo do esporte. Amistoso vai e amistoso vem, inventaram de casar. Rachel fugiu de casa às pressas e se meteu numa igreja paulistana com o namorado. Mas Gylmar era tão famoso que... imagine se, hoje,Ronaldo Fenômeno resolvesse pegar um cineminha no shopping Santa Cruz. Alguém cochichou que devia ser o tal goleiro da seleção, que comentou com outro e logo uma multidão invadia o lugar. Enquanto os dois driblavam o padre para escapar pela lateral, o rádio já anunciava que Gylmar tentava se casar naquele momento. E o libanês, em expediente na fábrica de sua propriedade, surtava de ódio. Dizem que chegou a correr para proibir a união. Os dois chegavam à outra igreja e, mais uma vez, precisavam fugir do tumuldo. Um esquema tático surreal. Trocaram alianças na terceira: GOOOOOLLLL! Em seguida, entraram num avião rumo ao Maracanã - o marido de Rachel precisava vestir as luvas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ela foi deserdada pelo pai e passou quase quinze anos sem ter contato com ele. Seguiu sua vida: criou dois filhos praticamente sozinha, por causa das viagens e competições de Gylmar (ele jogou 18 anos com a camisa verde-amarela). Um dia, recebeu a ligação da mãe: o pai convidara ela, o genro e os netos para um almoço. "Lembro de chegar lá com mamãe e papai", diz o filho Marcelo, "e meu avô fingir como se nada tivesse acontecido nesses anos todos. Foi um dia muito especial para nós". Naquela mesma tarde, depois de ser visto ajoelhado no quarto, rezando, o libanês faleceu. Os irmãos de Rachel, então, decidiram abrir o cofre e dar a ela o que lhe era de direito. Encontraram mais que dinheiro. Revistas, como a Cruzeiro, traziam fotos de Gylmar posando com a mulher e os filhos. E eu não posso deixar de pensar quanto amor e perdão ele também trancou naquele cofre, sem nunca ter conseguido partilhar isso com ela. Gylmar é considerado o melhor goleiro da História do futebol brasileiro, está entre os 25 "anjos barrocos" do Museu Do Futebol. Conquistou muitos títulos até se aposentar aos 36 anos; depois administrou uma concessionária de automóveis. Em 2000, ao se preparar para uma homenagem no RJ, sofreu um grave AVC. Justo quando teria mais tempo ao lado de Rachel. O senhor de 79 anos que abriu as portas de seu apartamento no Guarujá, para esta repórter, tem o lado esquerdo do corpo paralisado e dificuldade na fala. Mas seu olhar tem uma lucidez cortante, suas expressões faciais são frases inteirinhas e seu amor pela mulher parece tão imenso e perene quanto a vista do mar em sua janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/GqoJ-0Qgc8k&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/GqoJ-0Qgc8k&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-4817602742371513201?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/4817602742371513201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=4817602742371513201&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4817602742371513201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4817602742371513201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2010/05/porque-o-amor-sempre-bate-um-bolao.html' title='Porque o amor sempre bate um bolão'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/S_Yb381WLGI/AAAAAAAAAM4/H0QUxd2JCj4/s72-c/gilmar-615-copa-58-superinteressante-1g.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-8720359230454459071</id><published>2010-04-08T14:33:00.000-07:00</published><updated>2010-04-08T14:34:59.099-07:00</updated><title type='text'>Vida de Mochileira</title><content type='html'>Temporariamente MUITO mais ocupada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;www.mochileiros-nath-oda.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-8720359230454459071?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/8720359230454459071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=8720359230454459071&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8720359230454459071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8720359230454459071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2010/04/vida-de-mochileira.html' title='Vida de Mochileira'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-2195576645740086342</id><published>2010-03-08T19:21:00.000-08:00</published><updated>2010-03-08T20:44:36.227-08:00</updated><title type='text'>Epitáfio: la vie en rose</title><content type='html'>No último leito do corredor, uma voz rouca canta Edith Piaf. Porque as cortinas estão fechadas, o olhar melancólico do paciente deitado dói ainda mais em mim. Os médicos e residentes ao redor da cama tem jalecos, experiência e técnica para se proteger. Trouxe apenas meu gravador e uma incrível incapacidade de lidar com a morte. O estado de Seu Roger é terminal: o tumor avançou os limites da bexiga e lhe assaltou o corpo todo. Agora alcança também o latifúndio da memória desse francês de 89 anos, que precisa assobiar alguns trechos perdidos de "La Vie en Rose". É apenas uma rotineira visita de sexta-feira, em que todos da equipe acompanham e discutem caso a caso juntos. Mas ele logo avisa que esta é, sim, uma despedida. A chefe da enfermaria de cuidados paliativos ouve em silêncio e abre um sorriso cúmplice. Então ele havia sentido o sopro final de vida. "Obrigado por não me deixar sofrer, por cuidar de mim o tempo todo", diz, com as mãos repousadas nas dela. Custo a acreditar que aquele homem sereno e sem dor está morrendo - mas choro muito por ele, engolindo soluços. (O que haveria entre as duas pontas de sua trajetória? Que histórias teria ele para me contar se tivessemos sido apresentados mais distantes de seu fim? Soube apenas que era um gentleman muito culto, adorava cerveja Baden Baden, tinha duas filhas gêmeas e conseguira escapar de soldados nazistas quando criança). Antes de deixar o quarto, esfrego meu rosto na manga do casaco e ofereço um beijo a Seu Roger. Ele confessa: "Estou feliz. Vou morrer com ela nos braços". Juro que, pertinho daqueles olhos azuis, não foi a morte que fez sentido. Mas o sentido da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois, liguei para a médica-chefe para saber dos pacientes. Queria marcar uma foto com Seu Roger para uma matéria que estou escrevendo. Apesar de todas as evidências, a gente tende a ignorar a morte. "Tenho más notícias, querida. Ele faleceu no dia da nossa visita, poucas horas depois", disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"La Vie en Rose" (A Vida Cor de Rosa), Edith Piaf.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/rKgcKYTStMc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/rKgcKYTStMc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Uma grande felicidade que toma seu lugar &lt;br /&gt;Os aborrecimentos e as tristezas se apagam &lt;br /&gt;Feliz, feliz até morrer"&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-2195576645740086342?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/2195576645740086342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=2195576645740086342&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2195576645740086342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2195576645740086342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2010/03/epitafio-la-vie-en-rose.html' title='Epitáfio: la vie en rose'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-3787536807582257416</id><published>2010-01-15T12:01:00.000-08:00</published><updated>2010-01-15T12:02:07.654-08:00</updated><title type='text'>Colírio</title><content type='html'>Enfiou dedos nos olhos - e o pé no freio. Uma coceira inexplicável bem no meio do cruzamento. Cílio provoca acidente na Avenida Paulista, previu nas capas dos jornais, dramática. Ainda ouvia a buzina do motoboy, que desviou apressado, sem tempo sequer de levantar o capacete para mandá-la à merda. Aliviada, sorriu para o vermelho do semáforo. E ajeitou o retrovisor, doida para se livrar daquele pêlo que especulava ter se desprendido por excesso de rímel "super volume" de uma marca barata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5427059232031886514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 196px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/S1DJniRDzLI/AAAAAAAAALY/Q4qfzN067yk/s200/Eye_lash.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que ela o viu. Teria preferido ficar careca nas pálpebras. Mas cada um de seus cílios estava onde devia estar. Cortina, abrindo e fechando, o palco de um amor intruso. Passado colado na retina. Há anos não o encarava assim, nem o sentia tão perto. Dentro. Reparou que o sorriso dele continuava o mesmo: era otimista o homem que lhe pedira para ficar quando ela decidiu fugir. História cheia de desencontros, lembrou. Sinal verde - e o incômodo acelerou primeiro. Ela tateou a bolsa e, atrapalhada, abriu a caixinha do óculos escuro enquanto dirigia. Se não conseguia esfregar de uma vez aquele incômodo dali, pelo menos não seria obrigada a vê-lo refletido nos espelhos. Aumentou o som, ridicularizando sua nostalgia. Atrevido, um cantor dizia "não se afobe, não" e ela piscava com mais força. Trabalhou doze horas seguidas em frente ao computador,vesga de cansaço - de dez em dez minutos percorria os quadriláteros do teto com o olhar, na esperança de surpreendê-lo distraído e sacudí-lo de si. Voltou pra casa com a janela do carro aberta, apoiando seu desespero num cigarro. Ele estava em tudo que ela via. Estacionou na vaga apertada e resolveu se vingar ali mesmo. O marido arrumava a mesa do jantar, com seu filho no colo: melhor não deixar vestígios. Na garagem silenciosa, chorou, chorou, chorou como nunca. Sem derramar uma única lágrima. Até afogar o homem que não podia caber nela. Na manhã seguinte, esvaziou um pote de colírio nos olhos negros. Só pra ter certeza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-3787536807582257416?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/3787536807582257416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=3787536807582257416&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3787536807582257416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3787536807582257416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2010/01/colirio.html' title='Colírio'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/S1DJniRDzLI/AAAAAAAAALY/Q4qfzN067yk/s72-c/Eye_lash.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-1526594260925205964</id><published>2010-01-12T11:49:00.000-08:00</published><updated>2010-01-12T11:56:05.851-08:00</updated><title type='text'>Para ler em dois segundos.</title><content type='html'>"Liberdade na vida é ter um amor para se prender"&lt;br /&gt;- Fabrício Carpinejar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-1526594260925205964?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/1526594260925205964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=1526594260925205964&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1526594260925205964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1526594260925205964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2010/01/para-ler-em-dois-segundos.html' title='Para ler em dois segundos.'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-4500913178124038726</id><published>2009-11-30T16:49:00.000-08:00</published><updated>2009-12-07T14:06:20.300-08:00</updated><title type='text'>Ainda erguendo a minha viga mestre</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sx12u7VrkPI/AAAAAAAAAKs/du8Jw_cZzMM/s1600-h/teto6.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412612875743891698" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sx12u7VrkPI/AAAAAAAAAKs/du8Jw_cZzMM/s320/teto6.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dois posts atrás, contei que, para escrever uma reportagem sobre a Ong Um Teto Para Meu País, participaria de um mutirão no feriado. E que colocaria telhas sobre a cabeça de Dona Gilmara sob o risco de descer da estrutura e não encontrar meu próprio chão. Sorte que lá também aprendi a serrar vigas e pregar tábuas. Enquanto reconstruo algumas ideias, compartilho um recado a minha mãe. Psicóloga competente e mulher incrível, de quem tento sempre roubar um pouco mais de sensibilidade e atenção nesse processo tão delicado que é ouvir - e entender - o outro.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;p&gt;"costumo dizer, mãe, que não saio imune das vidas que visito como repórter. parte do mistério está registrado no meu gravador. outra, esta muito maior, no meu coração. num barraquinho de suzano, deitada com olhos esbugalhados de medo dos ratos e dos pernilongos em bando, apalpei uma noite daquela realidade que jamais deveria existir. e, chacoalhada na alma, construí com os voluntários um novo lar para dona gilmara e mais 11 familiares. martelei estruturas, levantei paredes, serrei telhas e as ajeitei com carinho. olhei para aqueles jovens sujos de lama até a testa e desvendei a motivação deles num feriado chuvoso, tudo para erguer o teto de desconhecidos necessitados. uma experiência visceral. e veja só que coisa estranha. a repórter que eu escolhi ser tem muito a ensinar à jovem adulta aqui. preciso vestir mais a pele do outro para entendê-lo de verdade".&lt;/p&gt;Conto mais sobre o projeto, os voluntários e os beneficiados na edição de fevereiro da Época São Paulo. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-4500913178124038726?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/4500913178124038726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=4500913178124038726&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4500913178124038726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4500913178124038726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/11/ainda-erguendo-minha-viga-mestre.html' title='Ainda erguendo a minha viga mestre'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sx12u7VrkPI/AAAAAAAAAKs/du8Jw_cZzMM/s72-c/teto6.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-7251560722368186560</id><published>2009-11-08T07:21:00.001-08:00</published><updated>2009-11-13T12:11:43.983-08:00</updated><title type='text'>Bomba vermelho-sangue</title><content type='html'>Do blog Amor e Ponto, de Cristiana Guerra:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://amoreponto.blogspot.com/2009/11/casca.html"&gt;Casca.&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ele trazia o coração envolto numa casca. De modo que nem parecia haver ali uma batida. Ele era um morto-vivo, sorrindo para o mundo uma alegria comprada em loja. Um dia ele topou com ela. Ela, sim, trazia o seu coração nu, carne viva, pulsando convicto. E foi assim que os dois corações nunca se encontraram. Um dia a casca do coração dele se quebrou e quem ficou nu foi ele, diante do que sentia. Pegou seu próprio coração com as mãos, quente feito brasa, e o jogava para um lado e para o outro sem saber o que fazer com aquele amor que lhe queimava a pele. Quando olhou aquela bomba vermelho-sangue, o coração dela explodiu em sorriso. Mas o tempo passou de novo e o que ela viu crescer não foi amor: foi outra casca. Outra dura e forte a esconder mais uma vez aquele músculo frágil, a ponto de nem se ouvirem mais as batidas. E o coração que ela não mais vê, não mais sente. E o dela ganha paz de novo, como quem viveu um sonho breve e acordou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-7251560722368186560?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/7251560722368186560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=7251560722368186560&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7251560722368186560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7251560722368186560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/11/bomba-vermelho-sangue.html' title='Bomba vermelho-sangue'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-3966698219938261737</id><published>2009-11-07T17:53:00.000-08:00</published><updated>2009-11-10T09:28:14.537-08:00</updated><title type='text'>Um Teto a mais - um chão a menos</title><content type='html'>Bem-vindo ao Jardim Maitê, diz uma placa impregnada de pó vermelho. Na rua principal, um porco chafurda com o nariz a lama que secou há pouco. Para cada dois dias de sol, uma chuva aumenta o nível do brejo onde vive Dona Gilmara. Tira o sono dos sapos e das doze pessoas que dividem o terreno com eles, sobre um barraco de 3mx4m feito de restos. De madeirites apodrecidas, de portas abandonadas, de telhas quebradas, de dignidade. Não há geladeira, televisão, pia, banheiro. Só três camas (uma de casal e duas de solteiro), um pequeno armário remendado, um sofazinho, um fogão e uma gaiola. E o passarinho, sem dúvidas, tem mais espaço para circular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5401557703020448258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SvYwHLpPCgI/AAAAAAAAAKM/A1zAcd2lrqM/s320/favela.jpg" border="0" /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Este não é o barraco 3mX4m de Gilmara, mas o dela não é lá muito melhor que isso aqui.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;A luz chega por uma gambiarra. Água fica em baldes para banho e para dar conta de diluir as necessidades fisiológicas. Ratos ali, segundo Dona Gilmara, botam medo nos gatos e os pernilongos passeiam pelas frestas, lanchando as bochechas redondas das crianças. Se chove, ninguém dorme. O brejo alaga o barraco e todos sobem nas camas como se pudessem se proteger de um naufrágio. Conheci nesta manhã de sábado Dona Gilmara para uma reportagem sobre a Ong que construirá, daqui a duas semanas, casas emergenciais para algumas famílias da comunidade. Na periferia da periferia. Perguntei se poderia dormir ali antes do mutirão. Ela me olhou incrédula. "Não ronco, juro". Seu riso cheio de espaços no lugar dos dentes garantiu qualquer décimo de metro quadrado à futura hóspede. Gilmara ainda nem ganhou um teto, mas sua sobrevivência já tirou meu chão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-3966698219938261737?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/3966698219938261737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=3966698219938261737&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3966698219938261737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3966698219938261737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/11/um-teto-mais-um-chao-menos.html' title='Um Teto a mais - um chão a menos'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SvYwHLpPCgI/AAAAAAAAAKM/A1zAcd2lrqM/s72-c/favela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-5164954189387759254</id><published>2009-10-21T13:24:00.001-07:00</published><updated>2009-10-21T14:07:45.164-07:00</updated><title type='text'>Sonho a gente sonha</title><content type='html'>Pesadelo de encharcar o peito já me rendeu insônia e olheiras várias vezes. Sonho, nunca.&lt;br /&gt;Até esses dias. Sonhei uma felicidade tão plena que só podia ser vivida nas profundezas do meu inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que ando rejeitando bocejos e cílios pesados. Meia noite: decido que nada pode ser mais urgente que lavar a louça, esfregar o chão do banheiro, reorganizar os copos no armário da cozinha. Me esquivo do meu próprio sono. Prefiro não dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje recorri à Raca, minha maracugina em forma de amiga querida:&lt;br /&gt;- Tá foda. Faço o que com esse sonho?&lt;br /&gt;- Sonho a gente sonha, Nath. É nele que a gente vive o que escolheu não viver aqui, no mundo real.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-5164954189387759254?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/5164954189387759254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=5164954189387759254&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5164954189387759254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5164954189387759254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/10/sonho-gente-sonha.html' title='Sonho a gente sonha'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-4195276810451907267</id><published>2009-10-08T15:19:00.000-07:00</published><updated>2009-10-09T17:49:07.506-07:00</updated><title type='text'>Olhos de Ressaca</title><content type='html'>Gabriel diz que ela tinha olhos de ressaca, feito os da Capitu de Machado de Assis. Achava a coisa mais linda em Vera. Vidrado, foi arrastado para a imensidão dentro dela. Quando se conheceram em Belo Horizonte, eram vizinhos separados apenas por um quintal. Tinham 14 e 15 anos. No início de 2009, pouco antes de festejarem bodas de diamante, Camilo me convidou para conhecê-los. A família queria eternizar a história também em um livro, que tivemos dois meses para escrever. Num final de semana na fazenda deles em Minas Gerais, quando nos encontramos todos, mais me impressionou o não-dito. Por ser surpresa para o casal, não poderia existir uma entrevista. Observamos. Muito me impressionou como, na intimidade dos dois, palavras são coadjuvantes. É na fundura do olhar que eles se comunicam. Amor à primeira vista que se transformou em amor disposto à enxergar o outro sempre - e minuciosamente. Nas páginas de "Vera e Gabriel: 60 quilates", o texto sequer disfarça nosso fascínio diante de algo que, pelo menos para mim, ainda é coisa de outro mundo. &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Ss_SPqz6xII/AAAAAAAAAKE/XFUBfy_SUCU/s1600-h/capa_vera_e_gabriel.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390758445617693826" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 220px; CURSOR: hand; HEIGHT: 135px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Ss_SPqz6xII/AAAAAAAAAKE/XFUBfy_SUCU/s320/capa_vera_e_gabriel.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Como explicamos na orelha do livro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Vera e Gabriel: 60 quilates é uma história real. Mas poderia não ser. Alinhavada ao longo de seis décadas de casamento - quase sete de namoro -, a trajetória desses dois poderia ter sido forjada por um romancista. Não o foi por acidente. Ou porque a vida, às vezes, se antecipa à poesia. Vera e Gabriel estão juntos desde o início dos anos 40, quando eram vizinhos. E porque o destino já havia os aproximado, teimaram de ficar assim para sempre. Namoraram no cinema, nos bailes do Minas Tênis Clube, em longos passeios na Praça da Liberdade. Aprenderam a dobras esquinas (e as irmãs de Vera) por um pouco de privacidade e se casaram em 20 de abril de 1949. Sete filhos, dezoito netos e nove bisnetos depois, Vera e Gabriel ainda passeiam de mãos dadas. Romance que vira romance, o amor desses dois nasceu para estar em um livro, do tipo que inspira o leitor ao mesmo tempo em que subverte os limites entre realidade e ficção."&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na mesma viagem à fazenda, uma das netas de Vera e Gabriel perambulava para todo canto gravando movimentos corriqueiros e depoimentos com lembranças dos dois. Petra Costa captou mais que imagens em sua câmera. No filme "Olhos de Ressaca", premiado como melhor curta-metragem do Festival do Rio, é impossível não sentir a alma delicada desse amor. Aqui, o trailler. No &lt;a href="http://www.portacurtas.com.br/index.asp"&gt;Porta-Curtas&lt;/a&gt;, em breve, deve estar disponível na íntegra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="340" width="560"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tZt612R5X1Y&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/tZt612R5X1Y&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;E o lindo trecho de Machado de Assis, declamado por Gabriel no curta:&lt;br /&gt;&lt;p&gt;"Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Ss5l50RXosI/AAAAAAAAAJ8/z5x3FAVa9rw/s1600-h/capa_vera_e_gabriel.jpg"&gt;&lt;/a&gt;que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios." &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-4195276810451907267?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/4195276810451907267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=4195276810451907267&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4195276810451907267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4195276810451907267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/10/olhos-de-ressaca.html' title='Olhos de Ressaca'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Ss_SPqz6xII/AAAAAAAAAKE/XFUBfy_SUCU/s72-c/capa_vera_e_gabriel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-8483334131841828908</id><published>2009-09-27T07:07:00.000-07:00</published><updated>2009-09-27T08:57:09.435-07:00</updated><title type='text'>Fire needs air</title><content type='html'>Esther Perel, uma das terapeutas de casal mais famosas dos EUA, respondeu deste jeito a minha primeira pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você diz que cada vez mais atende em seu consultório casais jovens (com 20 e 30 anos) em relacionamentos sólidos. Eles se amam muito e são cúmplices, mas estão angustiados porque perderam o desejo pelo parceiro. Por que isso acontece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fogo precisa de ar. Desejo precisa de espaço, distanciamento. Intimidade não garante bom sexo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anotei em letras maiúsculas no meu bloquinho. Fiz um círculo em volta. Uma seta. E nem precisava: ainda estou com a resposta feito mantra na minha cabeça. Tenho escutado de muitas amigas coisas como "amo muito ele, mas fico me esquivando pra não fazer sexo" ou "não lembro a última vez em que transamos" ou "não sinto mais tesão, só que gosto demais dele para terminar". Não estou falando de mulheres com 50 anos. Elas estão com seus vinte e poucos, em relacionamentos que não ultrapassam 5 anos. E o que vivem é muito mais comum do que imaginam - elas e todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevistei a autora de "Sexo no Cativeiro" (sim, cativeiro = matrimônio) ontem, depois de ouvi-la 9 horas em um workshop para psicólogos brasileiros. É possível que saia uma matéria na revista Marie Claire de novembro. Coloco aqui um vídeo dela (em inglês) e trechos traduzidos por mim livremente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/wDw0STkffls&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/wDw0STkffls&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que aconteceu com essa geração pós-revolução sexual? Eles têm contracepção em suas mãos, ideias democráticas em suas cabeças,a permissão para fazer quanto sexo quiserem, mas não tem desejo para fazê-lo. Por que? Porque eles vieram com a expectativa de que satisfação sexual deveria ser parte de uma relação totalmente plena (***). Se no passado nós tínhamos vergonha porque fazíamos sexo, agora temos vergonha porque não fazemos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Perguntei a uma colega: se eles se amam, se importam um com o outro, por que não querem estar juntos fisicamente? Ela disse: porque as pessoas não querem transar no cativeiro. Eles estão perto demais. Pensei que algumas vezes não é um pouco de intimidade que atrapalha o desejo, mas o excesso de proximidade. Os casais sempre falam do paradoxo entre domesticidade e desejo sexual. Por um lado, queremos segurança, estabilidade. Por outro, queremos mistério, imprevisilidade, risco."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(***) Esther explica que por "relação totalmente plena" entenda-se que as pessoas buscam alguém que preencha todas as suas lacunas: emocionais, sexuais, econômicas. Ou seja, não basta ter um bom namorado. Ele tem que ser o amante incrível, o amigo mais confiável, o colo de mãe, o provedor, etc. Para a terapeuta, criar conexões com outras pessoas é fundamental para evitar cobranças excessivas que geram frustrações sem fim. Em outras palavras: tenha a sua autonomia, recorra às suas amigas, família, etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O parceiro não deve ser o melhor amigo", diz. Cultivar segredos e individualidade não é só um direito à privacidade como também um combustível para o amor. "Se temos que saber tudo é porque não confiamos. Confiar é tolerar o desconhecido". É esse "não achar que conhece o outro totalmente" que desperta a curiosidade, o medo de perder e, consequentemente, o desejo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-8483334131841828908?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/8483334131841828908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=8483334131841828908&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8483334131841828908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8483334131841828908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/09/fire-needs-air.html' title='Fire needs air'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-1316659902381696780</id><published>2009-09-21T13:44:00.000-07:00</published><updated>2009-09-21T14:13:25.090-07:00</updated><title type='text'>Ele não deixa o molho respingar. E eu não seguro mais a bandeja</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SrfluqDrzKI/AAAAAAAAAJ0/8vfgMPqKSJM/s1600-h/gar%C3%A7om.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SrfluqDrzKI/AAAAAAAAAJ0/8vfgMPqKSJM/s320/gar%C3%A7om.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384024469271202978" /&gt;&lt;/a&gt; Aos 90 anos, Seu Antônio implorou ao patrão da cantina italiana:&lt;br /&gt;- Me deixa continuar trabalhando? Pelo menos aos domingos... &lt;br /&gt;Ele jura que nunca deixou o molho vermelho das massas respingar em cliente nenhum.&lt;br /&gt;E quer continuar carregando a bandeja, a despeito dos braços trêmulos. Fui entender depois porque ele não vai para casa descansar ao lado da esposa: é como se ali também equilibrasse a própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/0,,EMI89784-15375,00-NUNCA+DEIXEI+O+MOLHO+RESPINGAR+DIZ+GARCOM+DE+ANOS.html"&gt;Saiu na Época SP&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu ia postar sobre o meu cansaço depois de duas semanas trabalhando na madrugada (das 23h às 6h30), sobre a rotina virada pelo avesso e sobre as férias que nunca chegam...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-1316659902381696780?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/1316659902381696780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=1316659902381696780&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1316659902381696780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1316659902381696780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/09/aos-90-anos-seu-antonio-implorou-ao.html' title='Ele não deixa o molho respingar. E eu não seguro mais a bandeja'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SrfluqDrzKI/AAAAAAAAAJ0/8vfgMPqKSJM/s72-c/gar%C3%A7om.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-59592076275287082</id><published>2009-09-08T19:46:00.000-07:00</published><updated>2009-09-10T15:08:57.122-07:00</updated><title type='text'>Estrondo, sal e calmaria</title><content type='html'>Acordei de um cochilo leve quando uma onda empurrou com força a areia fofa de Boiçucanga. Ouvi a espuma se recolhendo e um novo estrondo invadiu o quarto, a quinze metros da praia. Com saudade chacoalhada, enfiei um agasalho e fui sentar debaixo de uma árvore, a tempo de ver a chuva chegando - e os turistas fugindo no final de tarde. Incrível o que o vai e vem dessas águas provoca em mim. Olhos salgados, devo ter chamado a atenção de um rapaz, que não pediu licença para me fazer companhia silenciosa por alguns minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você só pode ser caiçara também.&lt;br /&gt;- Oi?&lt;br /&gt;- Moro aqui há 14 anos. Rodrigo. Prazer.&lt;br /&gt;- Oi, Nathalia. Mas por que vc diz isso?&lt;br /&gt;- Porque a gente percebe quem tem essa intimidade com o mar. Também fico com essa cara quando venho aqui pra esvaziar a cabeça. De onde você é?&lt;br /&gt;- Santos.&lt;br /&gt;- Não mora mais lá, não, né?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Tá explicado. Veio recuperar as energias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sql2WtVavnI/AAAAAAAAAJs/tNrMmnmWTVw/s1600-h/mar.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sql2WtVavnI/AAAAAAAAAJs/tNrMmnmWTVw/s200/mar.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5379961362369396338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodrigo tem 28 anos. Construiu com o tio a pousada em que me hospedava. Uma graça, no estilo simples das casinhas dos pescadores. Ele já foi um, aliás. E trabalhou na peixaria ali ao lado também. Quis saber como era a vida em São Paulo, o que eu tinha achado da polêmica do diploma de jornalista (?!). Frequentador da igreja Bola de Neve, é um cara de voz mansa e olhar atento. Tanto que reparou na baita mordida de borrachudo que levei no tornozelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, os bichos pegam mesmo. &lt;br /&gt;- Nossa, e como coça!&lt;br /&gt;- Entra no mar. Ele cura tudo. Sério: isso aí é moleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresci com essa história de que não há ferida que o mar não seque. E o remédio milagroso ficava do outro lado da rua da minha casa. Ou emoldurado pela janela da sala. No parapeito dela, inspirada por aquela misteriosa imensidão, me debrucei em sonhos e devaneios. Logo embaixo, na rede ali pendurada, também balancei dores e angústias no ritmo das ondas mais violentas. Até dormir para despertar calmaria. Se a vida estava empatada, era banho de mar para se livrar do mau olhado. Para agradecer uma conquista, mergulho gelado (e inclusive noturno). Caiçara sabe que é quase uma religião mesmo. Lembrei que há muito eu não me abençoava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol ardido veio só no dia seguinte. Não quis perder tempo: convidei minhas feridas para algumas braçadas. Saímos todas cicatrizadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-59592076275287082?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/59592076275287082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=59592076275287082&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/59592076275287082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/59592076275287082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/09/tempos-de-calmaria.html' title='Estrondo, sal e calmaria'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sql2WtVavnI/AAAAAAAAAJs/tNrMmnmWTVw/s72-c/mar.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-4251413062464831004</id><published>2009-09-01T13:54:00.000-07:00</published><updated>2009-09-04T00:41:12.398-07:00</updated><title type='text'>O homem que escrevia de trás para frente</title><content type='html'>Conheci um paraibano que, depois de 70 anos longe das salas de aula, voltou a estudar. Aos 84, acaba de alcançar o diploma do ensino médio. Mas não se dá por satisfeito: se prepara para o vestibular de direito. Aqui, um trecho da reportagem que estou escrevendo (com nomes trocados) e minha profunda admiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SqDD04UZoGI/AAAAAAAAAJk/dSDV3ASwjgU/s1600-h/writing-man1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 199px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SqDD04UZoGI/AAAAAAAAAJk/dSDV3ASwjgU/s200/writing-man1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377513268318937186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Caderno e coragem debaixo do braço, Clodair Pereira da Silva atravessou os corredores da Escola Estadual Sampaio Almeida, em São Paulo. Entrou na sala repleta de carteiras, escolhendo para si a mais próxima da lousa – a determinação e a catarata nos dois olhos exigiam que assim fosse. Sob o bigode preto salpicado pelo branco da idade, cumprimentou com um sorriso a professora cinqüenta e tantos anos mais nova. Enquanto os colegas do supletivo noturno ajeitavam-se em seus lugares, ele precisava era ajeitar o próprio acanhamento: “Eu era o mais antigo lá. Parei de estudar aos 9. Não foi fácil começar tudo de novo”. Na primeira aula, intrigou a professora de português. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu Clodair, veja bem... O senhor está começando a copiar as matérias na última página do caderno. Assim vai ser uma desorganização só. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa. Faço do meu jeito – respondeu, incomodado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lembrar do episódio vivido há quatro anos, Clodair ri a ponto de fechar os olhos já pequeninos. “Quando a pessoa estuda desde criança, sabe arrumar as lições direitinho, né? Eu peguei o bonde andando”. A escrita, utilizando as páginas de trás para frente, refletia a cronologia invertida de sua vida. Octogenário, estava reaprendendo a ser o menino que a pobreza roubou da terceira série. Mas como essa é uma história longa, ele me convida a sentar na mesa da cozinha, invadida pelo chiado da panela e o cheiro do feijão. Está tão disposto naquela manhã de agosto que quase esqueço: ainda se recupera de uma cirurgia feita às pressas, duas semanas antes, por causa de uma apendicite supurada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-4251413062464831004?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/4251413062464831004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=4251413062464831004&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4251413062464831004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4251413062464831004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/09/o-homem-que-escrevia-de-tras-para.html' title='O homem que escrevia de trás para frente'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SqDD04UZoGI/AAAAAAAAAJk/dSDV3ASwjgU/s72-c/writing-man1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-4800874815054242823</id><published>2009-08-26T19:57:00.000-07:00</published><updated>2009-08-26T20:03:39.646-07:00</updated><title type='text'>E lá vem os 23 anos...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SpX2QR0IjII/AAAAAAAAAJU/sEXgaosvU3A/s1600-h/nath2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 225px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SpX2QR0IjII/AAAAAAAAAJU/sEXgaosvU3A/s320/nath2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374472489856961666" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;... ensinando a dar novos passos para seguir em frente sempre &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-4800874815054242823?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/4800874815054242823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=4800874815054242823&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4800874815054242823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4800874815054242823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/08/e-la-vem-os-23-anos.html' title='E lá vem os 23 anos...'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SpX2QR0IjII/AAAAAAAAAJU/sEXgaosvU3A/s72-c/nath2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-1368350436969003677</id><published>2009-08-24T16:07:00.001-07:00</published><updated>2009-09-21T14:16:14.172-07:00</updated><title type='text'>Micro literatura</title><content type='html'>Pílulas do Sem Ruído, que acompanho pelo Twitter e nas estações do metrô:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ela olhou pra ele. Era melhor quando era platônico".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Já estavam há 5 horas conversando e tinham muitos assuntos em comum, mas foi no silêncio que descobriram suas incompatibilidades". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Visivelmente desconfortável, saiu fantasiado de esperança. Foi encontrado nu ao relento, coberto de decepção".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai &lt;a href="http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/0,,EMI82813-15367,00.html"&gt;lá&lt;/a&gt; se quiser saber mais sobre o grupo e a iniciativa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-1368350436969003677?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/1368350436969003677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=1368350436969003677&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1368350436969003677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1368350436969003677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/08/micro-literatura.html' title='Micro literatura'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-8016304692305642501</id><published>2009-08-19T19:08:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T20:08:23.670-07:00</updated><title type='text'>Nó de uma orelha só</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Soy9szVMqfI/AAAAAAAAAJM/m7yWEqPutfw/s1600-h/n%C3%B3.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 220px; height: 220px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Soy9szVMqfI/AAAAAAAAAJM/m7yWEqPutfw/s320/n%C3%B3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371877032937171442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É verdade: os cadarços eu ainda amarro daquele jeito. Duas orelhinhas, cruza e dá a volta por dentro. Até os dez anos, importa é que os pés estão calçados. Mas, depois disso... Eu é que desisti de usar tênis. Cansei de asfixiar sempre, daquela maneira infantil, a frustração por não conseguir executar o movimento tão óbvio. Me explicaram quinhentas milhões de vezes a arte do nó adulto. Debochando, mostrando cada etapa bem-de-va-gar-zi-nho, desenhando no papel. Daí vez ou outra eu finalmente conseguia, decorava (!) e o mestre se enchia de glória. Vã, claro. Em menos de meia dúzia de tentativas, eu esquecia. Então aposentei meus tênis. Hoje pensei no único par guardado no armário. No nó que eu não sei fazer. Porque, de vez em quando, nem todas as instruções do mundo ajudam a gente a se livrar dos mesmos erros e das velhas manias. Uma amiga disse que isso ninguém mais me ensina. "Descobre-se sozinho, numa espécie de estalo". Prometi a ela descansar o salto alto e gastar mais a sola (e os cadarços) do meu tênis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-8016304692305642501?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/8016304692305642501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=8016304692305642501&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8016304692305642501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8016304692305642501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/08/no-de-uma-orelha-so.html' title='Nó de uma orelha só'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Soy9szVMqfI/AAAAAAAAAJM/m7yWEqPutfw/s72-c/n%C3%B3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-1975185167021489569</id><published>2009-08-12T18:35:00.000-07:00</published><updated>2009-08-12T19:13:06.997-07:00</updated><title type='text'>Miudezas</title><content type='html'>Esses dias você se esgueirou nos lençóis e fugiu dos meus braços sem me despertar. Não vi, mas sei que se arrastou até o banheiro, tomou aquele banho quente demorado e fez a barba de cima para baixo. É por isso que ela cresce logo, amor - avisei milhares de vezes. Enrolado na toalha, na ponta do pé, você deve ter atravessado o quarto para pegar sua roupa meticulosamente dobrada, separada na noite anterior. Senti seu beijo quente bem abaixo da orelha, passando o nariz no meu rosto sonolento, e quis dizer o quanto estava plena por te ter perto de novo. Tá frio, não esquece o casaco - foi o que deu pra balbuciar. Você sorriu, como sempre. Afundei naquele edredon que nos faz esquecer o alarme - a vida fora do nosso universo macio. Minutos depois, encontrei sua calça de pijama largada de última hora. E, nela, meus imensos fios de cabelo. Lembrei das reclamações: não sei como eles alcançam esse lugares, vivem se enroscando em mim! Escancarei cortina e janelas para a luz entrar. Lá estava outro detalhe. O travesseiro ao lado amassado no formato da sua cabeça. Sabe, preto, o tempo e o amor redimensionam miudezas.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"a vida leva e traz / a vida faz e refaz"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-1975185167021489569?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/1975185167021489569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=1975185167021489569&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1975185167021489569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1975185167021489569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/08/miudezas.html' title='Miudezas'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-713580686370271382</id><published>2009-08-05T19:56:00.000-07:00</published><updated>2009-08-06T09:35:32.447-07:00</updated><title type='text'>No teu escuro, me ensina a tatear</title><content type='html'>Silvia Valentini não é cega. Convive apenas com a miopia, sem saber precisar quantos são os graus que desembaçam qualquer imagem à distância: "deve fazer uns seis anos que não troco estes óculos". Queria ter dito a essa artista plástica que abandonasse o par de lentes pendurados sobre o nariz. Parecem lhe servir apenas como acessório, tamanha a clareza da sua visão de mundo e seu foco no outro. Silvia é idealizadora do Boletim Ponto a Ponto, um periódico mensal que compila reportagens de jornais e revistas transcritos em braille. O calhamaço de páginas brancas e totalmente pontilhadas leva conhecimento a deficientes visuais e surdocegos, que tem pouquíssimo material atualizado disponível para leitura. Assim, milhares de pessoas têm compreendido melhor o que acontece no mundo que também lhes pertence. Descobrem, encantados, o que é o tal do pré-sal, como funciona um vulcão ou que forma possui um carrapato. Escrevi sobre o projeto na edição de setembro da revista Época SP, em breve nas bancas. Foi através dela que conheci Sandra Taioli Cassares, outra mulher de abraçar a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SnpMdb_dENI/AAAAAAAAAJE/tpNlubQ9D3g/s1600-h/braille1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 132px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SnpMdb_dENI/AAAAAAAAAJE/tpNlubQ9D3g/s200/braille1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366685974579187922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quinta-feira de feriado quando toquei a campainha do apartamento dessa assistente social aposentada. "Oi, querida, pode entrar", convidou, estendendo a mão e me puxando para um abraço. Não podia ter me guiado melhor naquela situação. Muitas vezes, ajo feito quem tateia no escuro diante de portadores de alguma deficiência: espero ela me tocar ou não? vou na frente ou sigo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que Sandra conversava comigo bem perto, como se quisesse enxergar com outros sentidos a minha altura, o jeito como eu gesticulava, a minha expressão de jovem repórter. Não tenho ideia se percebeu o quanto me surpreendi com uma bobagem: a casa era absolutamente arrumadinha, normal, com tudo combinando. Sofás, mesinha de centro, televisão, samambaia pendurada sobre a janela. Através dela, vi o céu da Mooca feito um tapete azul. "Obrigada por me receberem nessa manhã de feriado ensolarado", comentei. "Está sol, é? Que beleza!", respondeu o marido, me cumprimentando. A luz refletida nas paredes era só o breu costumeiro para o simpático casal. O que eles vêem é uma sensação de calor. Fechei os olhos para marcar a minha estupidez distraída.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eles sequer ligaram. Andavam de um lado para outro com passos precisos, como se calculassem mentalmente a metragem da poltrona para o corredor. Talvez vejam alguns vultos e silhuetas, pensei. Nada. Sandra nasceu cega; Ronaldo ficou aos vinte anos. Ela, que foi alfabetizada em braille, surgiu com uma Reglete (régua com cavidades que formam palavras ao serem perfuradas por uma ponteira de aço). Ponto por ponto, numa habilidade invejável, escreveu meu nome completo. E tudo o que eu consegui ver foram montinhos em relevo, que não me diziam absolutamente nada, mas me encantaram os dedos. A professora segurou minha mão e tentou ensinar o beabá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você pode buscar um Boletim e ler pra mim?", abusei. Afundei mais de uma hora naquele sofá com estampas irmãs das que moravam na sala da minha bisavó. Ao meu lado, com as páginas no colo, Sandra empunhava o indicador e lia as matérias que eu havia lido semanas antes no Estadão, na Veja... E que se transformaram em novidade naquelas formas miúdas. No momento em que ouvi o outro me contar o que eu não podia decifrar sozinha. Sem perder o hábito acadêmico, ela me pediu para encontrar o número de uma página qualquer. Explicou o formato dele em braille, mas logo desisti do desafio. E imaginei os dois folheando em uma enorme banca de jornais e revistas: sem um tradutor vidente por perto, as palavras e as imagens são inalcançáveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Preciso ir embora!", me despedi, na esperança de que me botassem em algum canto só para observar suas rotinas. Tive vergonha de explicar que demoro para conceber certas superações. Ronaldo saltou da porta ao elevador e, certeiro, apertou o botão para mim. Disfarcei, mas não resisti a uma última olhada nos olhos dele. "Não é possível, Deus. Esse homem deve estar me vendo". Do jeito convencional, não estava, não. Mas tenho cá minhas desconfianças: como as aparências não lhes dizem nada, eles devem enxergar além.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-713580686370271382?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/713580686370271382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=713580686370271382&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/713580686370271382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/713580686370271382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/08/silvia-valentini-nao-e-cega.html' title='No teu escuro, me ensina a tatear'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SnpMdb_dENI/AAAAAAAAAJE/tpNlubQ9D3g/s72-c/braille1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-1596929055410604797</id><published>2009-07-27T19:03:00.000-07:00</published><updated>2009-07-28T07:57:10.965-07:00</updated><title type='text'>A um homem de 50 anos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sm5rosJuN9I/AAAAAAAAAIs/PfYHDsV52OI/s1600-h/homem+de+50.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sm5rosJuN9I/AAAAAAAAAIs/PfYHDsV52OI/s200/homem+de+50.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363342553035716562" /&gt;&lt;/a&gt; Presentes e datas comemorativas são bobagens. Era o que você costumava dizer, envolto até em um certo desdém. Completava só depois: amor e carinho se entregam ao outro todos os dias. Era isso ou algo parecido. As cinco décadas te alcançam e a minha memória é que tropeça. Eu, menos da metade de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dois de julho, talvez o único em que passamos separados desde o meu sempre, não te dei presente. Nem amor, nem carinho. Apenas o máximo que pude: "oi, parabéns. (...) é isso, beijo-tchau". Fosse possível, teria mandado embrulhar o perdão em caixa espaçosa, com fita vermelha e lustrosa. Mas você sabe que não é coisa para se escolher na vitrine e pagar parcelado. Bem mais complicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então recolhi mais uma vez. Encaramujei minha tristeza, minha angústia e minha saudade. E você também, porque somos iguaizinhos. Fico hereditariamente doida nessas horas: quero subtrair teus genes de mim. Com os dentes. Daí percebo o quanto perderia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse aniversário atrasado, homem de 50 anos, vou te dar um tubo de cola bem tenaz. Não para recuperar os fios que já na adolescência te escaparam do couro. (Você tem seu charme sem eles, acredite). A cola deve ajudar a juntar esses caquinhos nossos por aí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas noites atrás encontrei um sob o travesseiro. Vai ver por isso sonhei com você penteando minha cabeleira enquanto eu, sentada no chão, assistia toda a novela das oito. Outro dia também dei com um outro pedaço no trilho da janela da área de serviço. Lá estava você atirando minha última chupeta, me fazendo dar adeus com a mãozinha e cair em prantos depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que a história da gente pode sofrer abalos estruturais mesmo. Rachar e se espatifar inteira. Improvável reconstruí-la como era. Mas nem por isso os caquinhos merecem ser expanados. Dá pra colar de novo, encaixar de um jeito irreverente. Veja só os mosaicos. Quem repara nos rejuntes? Importa é que as peças estão unidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-1596929055410604797?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/1596929055410604797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=1596929055410604797&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1596929055410604797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1596929055410604797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/07/um-homem-de-50-anos.html' title='A um homem de 50 anos'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sm5rosJuN9I/AAAAAAAAAIs/PfYHDsV52OI/s72-c/homem+de+50.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-6515211008523679364</id><published>2009-07-25T10:34:00.001-07:00</published><updated>2009-07-27T18:27:12.710-07:00</updated><title type='text'>Quando você sorriu</title><content type='html'>Saí do bar B, quinta-feira, e percebi que esta frase da banda Pullovers não saiu de mim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Quando você sorriu, me repartiu em antes e depois"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível como algumas palavras mergulham na gente e vão logo cutucando memórias sonolentas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-6515211008523679364?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/6515211008523679364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=6515211008523679364&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/6515211008523679364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/6515211008523679364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/07/quando-voce-sorriu.html' title='Quando você sorriu'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-6024030190791964331</id><published>2009-07-11T15:34:00.000-07:00</published><updated>2009-07-11T18:30:51.125-07:00</updated><title type='text'>Meu dia de visita na febem feminina</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SlkqBpFZO-I/AAAAAAAAAIk/7f0xlIsU0II/s1600-h/febem.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SlkqBpFZO-I/AAAAAAAAAIk/7f0xlIsU0II/s200/febem.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357359439430630370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Gabi tem uns olhos verdes, cabelo loiro tingido até a cintura, bochechas rosadas combinando com o batom, corações pequeninos que se equilibram na ponta dos brincos. É irritantemente angelical, essas meninas de 17 que conservam o jeitinho dos 12. E pink. Era desta cor o conjunto de moletom que usava no dia em que nos encontramos na Mooca. Unidade Chiquinha Gonzaga, Fundação Casa (ou Febem feminina). Meteram-nos numa salinha administrativa: eu queria entrevistar a garota presa há 5 meses por tráfico de drogas (incentivada pelo namorado com quem morava). A repórter aqui não estava interessada no delito, mas nas cartas que ela escrevia para aliviar a solidão, a liberdade de que foi privada. Nos despedimos num hall que antecede seu mundo gradeado. Com os olhos curiosos, acompanho um carcereiro abrir o primeiro cadeado. O som que a leva de volta para um corredor onde a perco de vista me impede de ir embora. "Diretora, gostaria de conhecer a unidade toda", arrisco. "Podemos fazer um tour rapidamente", ela autoriza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O setor das mães&lt;br /&gt;Sentada bem em frente à porta da cozinha onde todas acabavam de almoçar, ela enruga a expressão quando me vê. Quero crer que é a dor provocada pelo molequinho que lhe suga o bico do peito. Outra dá uma garfada enquanto balança o carrinho do recém nascido com o pé. São sete crianças com suas mães e três grávidas. Todas com menos de 20 anos e 11 meses. Aos treze anos, uma enfrentará em breve o segundo parto. Elas dormem num quarto coletivo: para cada cama de solteiro, um berço colado. Quase nunca recebem visitas - principalmente dos pais, que não raro são "trancas" (presidiários) ou desconhecidos ou desinteressados mesmo. "E você já viu como dia de visita em presídio faz fila?", comenta uma coordenadora. "Aqui não existe isso, não". Tento interagir, sob olhares densos e amargos: "Ah, que lindo! De quem é esse corinthianinho?". Silêncio. Melhor conhecer o restante da unidade, penso, e me desculpo pela invasão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A unidade provisória&lt;br /&gt;"Para cá vêm as meninas que estão esperando julgamento. Ficam aqui até, no máximo, 45 dias", me explicam. A caminho do pátio, cruzo com duas garotas encostadas na parede. "Boa tarde, senhora", dizem. Estão aguardando: minutos depois se encontrarão com o juiz para descobrir suas penas. Uma outra, aparentando 14 anos, se encolhe no chão, apertando os joelhos contra o peito. Moradora de rua e viciada em crack, chegou há um dia. Observa (se é que é capaz de distinguir qualquer coisa com aqueles olhos vagos) as duas filas formadas no centro da quadra de cimento: sentadas com as pernas cruzadas, elas passam pelo momento de higiene. Em dupla, se dirigem a um tanque e recebem uma escova de dentes feita de um plástico bem flexível (para evitar que vire arma). Tomam banho de sol e conversam. E eu, que temia não encarar demais para não lhes dar a sensação de que estava em um zoológico analisando espécies diferentes, me senti exatamente assim. Um E.T. Nos quartos, nenhum pertence. Só beliches igualzinhos, com um cobertor e um travesseiro-folha-de-papel. Individualidade ali, nem mesmo no arrastar de chilenos que se confundem por toda parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A unidade permanente&lt;br /&gt;Meio-dia e meia é hora de faxina na cozinha. O grupo que varre, ensaboa e lava tudo tem prestígio. "Se elas estão nessa função é porque são merecedoras de confiança", conta a diretora. L* nos cumprimenta e é apresentada. Alta e forte, a negra com o cabelo curto, colado ao couro em traças, carrega um tímido sorriso branco. Olha para as próprias mãos, os dedos que empurram cutículas. "Ela tem uma voz linda, Nathalia. Vamos, cante, L*", a autoridade incentiva. Então ela ergue o queixo e solta uma versão em português de "La Solitudine", música cantada por Laura Pausini (e também Renato Russo). Enfio o gravador no bolso da jaqueta para bater palmas, encantada com o talento da garota de 19 anos. Quando agradece e sai, pergunto pelo quê ela está pagando nesses três anos de reclusão. L* matou o filho. E ninguém sabe me explicar a causa do homicídio. Talvez nem ela mesma saiba. &lt;br /&gt;Mais um breve bate papo, desta vez com M*. A única pergunta que tenho coragem de fazer, ao ouvi-la contar que sua condenação está acabando, é: "...e para onde você vai quando sair daqui?". "Vou morar na rua, me enfiar em algum abrigo. Não conheci meu pai, morava minha mãe mais minha vó. Só que as duas estão presas também", responde, plantando tantas outras inquietações em mim. Andando, percebo que chamo atenção de algumas meninas sem uniforme e desconfio ter visto cenas de ciúme. São as homossexuais, que se recusam a vestir-se de pink e, em muitos casos, "adotaram" essa opção sexual pela circunstância, pela extrema carência afetiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora e meia de tour, coração pesado e vontade louca de chorar, digo à diretora que tenho compromisso e preciso ir. Entro no táxi e desabo. Me dou conta de um dos tantos privilégios que tenho: posso fugir daquela realidade tão obscura e sofrida. Estou de visita. Elas, não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-6024030190791964331?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/6024030190791964331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=6024030190791964331&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/6024030190791964331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/6024030190791964331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/07/meu-dia-de-visita-na-febem-feminina.html' title='Meu dia de visita na febem feminina'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SlkqBpFZO-I/AAAAAAAAAIk/7f0xlIsU0II/s72-c/febem.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-8387363101360286476</id><published>2009-07-07T03:25:00.000-07:00</published><updated>2009-07-07T03:40:12.388-07:00</updated><title type='text'>Dona Maria, sua carta e seu portão</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SlMkakGMyhI/AAAAAAAAAIc/Uc4nuQlgm_8/s1600-h/correspondencia.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 187px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SlMkakGMyhI/AAAAAAAAAIc/Uc4nuQlgm_8/s200/correspondencia.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355664420658530834" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Essas cartas podiam vir até sem endereço", me desafia Seu Rubens, carteiro há mais de 35anos na Cidade Dutra, lá pros lados do Grajaú, extremo sul da capital paulista. "Podiam, é?", pergunto. "Pois eu garanto que não voltava umazinha pra essa central no final do dia. Conheço a casa - e a vida - de cada um desses destinatários", ele emenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser saber mais sobre esse carteiro (que cultiva barriga e sorriso generosos a despeito dos 20km diários de percurso), vai ter que ler nas páginas da Época SP de agosto. Aqui eu conto sobre a Maria que o Rubens me apresentou. E o sobre o portão que ela bateu na minha cara durante a reportagem. Voltemos para o Centro de Distribuição Domiciliar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E dessas 1.200 cartas que o senhor deve entregar hoje, quantas são de pessoa física pra pessoa física?&lt;br /&gt;- Vixe - e ele remexe nos nichos de cada CEP, bagunçando toda aquela correspondência separadinha por número - Tenho entregado só cobrança, extrato bancário e publicidade.&lt;br /&gt;- Nem uma? &lt;br /&gt;- Ah, achei! É do filho da Dona Maria. Tá preso, o rapaz. Faz mais de ano já. &lt;br /&gt;- Seu Rubens, tem certeza? Seria uma história muito boa. Cartas representam um vínculo muito maior para quem está recluso. Me leva na casa dela?&lt;br /&gt;- Só se você prometer que não vai contar que fui eu quem te contei. Porque você sabe, não sou fofoqueiro. Mas ando pelas ruas o dia todo, converso com as mesmas pessoas há tanto tempo... Acabo sabendo mesmo. Mas ela pode não gostar.&lt;br /&gt;- Prometo.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;- Dona Mariiiiiaaa! (Seguida de algumas palmas no portão) Sou eu! Carta pra senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a senhora, frágil aparência, touca na cabeça, sai sorrindo para Seu Rubens. Me estranha, mas quer logo é pegar naquele envelope branco. Checar se está ali a letra em vermelho quase infantil, tão torta e insegura sobre as linhas onde se lê "Remetente". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que coincidência. Estava agora mesmo escrevendo para ele porque estranhei que não tivesse chegado nada nesse mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interrompo, educada, falando baixo e pisando em ovos.&lt;br /&gt;- Bom dia. Sou repórter e estou acompanhando a rotina do Seu Rubens. Fiquei surpresa ao ver que, em meio a 1200 cartas que ele tem para entregar hoje, a sua era a única pessoal. Daí quis saber mais sobre essa história. É um hábito que poucas pessoas mantêm atualmente, né? Com telefone, internet...&lt;br /&gt;- É. - respondeu Maria, longe de querer alimentar minhas esperanças.&lt;br /&gt;- Então. Essa carta é do seu filho? Ele mora longe?&lt;br /&gt;- Mora.&lt;br /&gt;- E vocês não se falam muito por telefone?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- É bom pra matar as saudades de qualquer forma, né? Mas, faz tempo que ele está fora?&lt;br /&gt;- Preciso responder? Eu não quero entrar em detalhes. &lt;br /&gt;- Não, claro.&lt;br /&gt;- E além do mais (empurrando o portão), estou com almoço no fogo. Você me dê licença. Não quero falar sobre isso.&lt;br /&gt;Dona Maria acenou agradecida apenas para Seu Rubens. Enfiou a carta no bolso do agasalho de lã, como se pudesse se esconder inteira ali, e sumiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua chuva apertou e fiquei parada naquele portão. Sem toldo, sem a história boa que eu queria escrever. Pensei em tocar a campainha e insistir. A vida DELA daria um bom molho pra MINHA matéria. Mas a vida era dela, só dela. E enquanto eu voltava pra redação pensando nisso, o fotógrafo dizia que, se fosse ele, daria um jeito de entrar, diria saber do filho preso e tentaria arrancar algum depoimento. Como se ela tivesse cometido um crime e fosse obrigada a declará-lo. Quebraria o vínculo de confiança que Seu Rubens tinha, há décadas, com aquela mulher. Desrespeitaria a dor (e por que não a vergonha) que ela deve sentir diante de algo tão íntimo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Imaginei uma desconhecida tocando a campainha do meu apartamento: “Oi, tudo bem? Soube que você está há meses sem falar com seu pai. O que você tem a dizer sobre isso?”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa de algumas linhas nas páginas da revista? &lt;br /&gt;Prefiro deixar as minhas em branco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-8387363101360286476?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/8387363101360286476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=8387363101360286476&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8387363101360286476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8387363101360286476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/07/dona-maria-sua-carta-e-seu-portao.html' title='Dona Maria, sua carta e seu portão'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SlMkakGMyhI/AAAAAAAAAIc/Uc4nuQlgm_8/s72-c/correspondencia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-3003603375160284887</id><published>2009-06-28T11:33:00.000-07:00</published><updated>2009-07-03T17:09:58.265-07:00</updated><title type='text'>Uma enxurrada, por favor</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Ske95gAlfpI/AAAAAAAAAIU/ak9BgidCaWk/s1600-h/Chuva.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Ske95gAlfpI/AAAAAAAAAIU/ak9BgidCaWk/s200/Chuva.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352455477695708818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma chuva fininha estampa minha janela tarde adentro. Os pingos magrelos caem tão discretamente que não escorrem. Ficam ali assim, a umedecer sem limpar. Resfriam o vidro e um coração esponjoso. Cada gota dá mais volume ao que lá está retido. Uma chuva fininha que, por não ter pressa, permanece preguiçosa. Pudesse alterar o clima, encomendaria uma enxurrada faxineira, dessas breves e faceiras. Que lavam e espremem tudo de uma só vez. E estedem ao sol para secar mágoas há tanto aguadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-3003603375160284887?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/3003603375160284887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=3003603375160284887&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3003603375160284887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3003603375160284887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/06/uma-enxurrada-por-favor.html' title='Uma enxurrada, por favor'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Ske95gAlfpI/AAAAAAAAAIU/ak9BgidCaWk/s72-c/Chuva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-4316927894716915876</id><published>2009-06-25T14:25:00.000-07:00</published><updated>2009-06-28T19:21:37.569-07:00</updated><title type='text'>Minuto de silêncio</title><content type='html'>&lt;em&gt;"...o diálogo que leva ao amor, que dá a cada um a vontade de se arriscar, não surge da sedução e do charme, mas da coragem de nos apresentarmos por nossas falhas, feridas e perdas". &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contardo Calligaris, na Ilustrada da Folha de S. Paulo.&lt;br /&gt;Dica da Raca, visceral como eu. Aquela amiga que a gente tem vontade de levar no bolso e folhear feito o livrinho "Minuto de Sabedoria".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-4316927894716915876?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/4316927894716915876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=4316927894716915876&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4316927894716915876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4316927894716915876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/06/pilula-dominical.html' title='Minuto de silêncio'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-8217552952856187504</id><published>2009-06-23T19:37:00.000-07:00</published><updated>2009-06-23T21:41:45.604-07:00</updated><title type='text'>Fundo de armário</title><content type='html'>O cheiro da página 169 de um livro decorado. A mancha amarela no canto de uma fotografia mal tirada. A data no verso de um bilhete-estopim. O passado empilhado, empoeirado. Entre prateleiras e gavetas esquecidas, tenho feito um resgate reconfortante. Quando a vida faz da gente uma porção de fragmentos, é nesse fundo de armário que tateamos as nossas estruturas e relembramos nosso próprio molde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-8217552952856187504?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/8217552952856187504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=8217552952856187504&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8217552952856187504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8217552952856187504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/06/fundo-de-armario.html' title='Fundo de armário'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-6404102567275485464</id><published>2009-06-21T15:19:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T15:26:30.184-07:00</updated><title type='text'>Alegria</title><content type='html'>"Sei que ela está aqui. Como quando perco alguma coisa dentro da bolsa repleta de coisas e toco em todas elas, menos no que é tão urgente. Respiro fundo. Calma. Ela está aqui, tenho certeza. É simples, eu vou encontrar" - &lt;em&gt;do blog Para Francisco&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-6404102567275485464?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/6404102567275485464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=6404102567275485464&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/6404102567275485464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/6404102567275485464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/06/alegria.html' title='Alegria'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-7355760369084873701</id><published>2009-06-21T14:37:00.000-07:00</published><updated>2009-06-23T07:06:10.361-07:00</updated><title type='text'>Sujeito mais importante que o verbo</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sj6pMRkTiPI/AAAAAAAAAIM/44tmaqwyYfk/s1600-h/palmira_vladmir.bmp"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 200px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sj6pMRkTiPI/AAAAAAAAAIM/44tmaqwyYfk/s200/palmira_vladmir.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349899435701930226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ela me ligou semana passada. Queria agradecer pela delicadeza com que contei sua história. Palmira nem sabe, mas abraçou minha alma. Fiquei toda prosa. Porque quem trabalha comigo sabe o quanto eu me remexo na cadeira para escrever sobre a vida dos outros. Sou apenas uma estranha cheia de perguntas. Sempre penso no quanto esses entrevistados confiam em mim ao revelar suas memórias, suas angústias, seus sonhos, suas dores. Nesse jornalismo que eu amo, o sujeito é muito mais importante que o verbo. Por isso peso muito o que ouvi antes de registrar nas páginas da revista. O amor de Palmira e seu Vladmir fazem parte da matéria de capa de junho da Época SP. Coloquei aqui(mais em &lt;strong&gt;http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/0,,EMI76616-15368,00-AMORES+IM+POSSIVEIS.html&lt;/strong&gt;). Ah, lembram do que escrevi no blog enquanto buscava um casal de velhinhos no baile da terceira idade? Foi parar no site da revista também =) &lt;strong&gt;http://revistaepocasp.globo.com/Revista/Epoca/SP/1,,EMI77405-16207,00.html &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palmira nunca foi de rodopiar assim, com os olhos fechados e o sorriso aberto. Era um-dois pra cá, um-dois pra lá, e só. Seguiu, na vida, uma coreografia sem margem para improvisos: menina de Itaporanga, semiárido da Paraíba com 23 mil habitantes, casou-se logo com o primeiro namorado, aos 15 anos. Antes de completar 17, tinha o mais velho dos quatro filhos. A costureira mudou-se para São Paulo com o marido, ao lado de quem viveu por quase quatro décadas. Quando veio a separação, esperavam dela que desligasse a música. Mas a mulher colocou o salto alto, perfumou-se toda e saiu para dançar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tem gente que se separa, aposenta ou fica viúvo e acha que a vida acabou. A minha começou agora: bendita terceira idade!”, diz, aos 75 anos, a avó de dez netos. A sensação de liberdade é tanta que, em um dos bailes da Sociedade Beneficente União Fraterna, na Lapa, entregou ela mesma uma bandeirinha à senhora que rodopiava com Vladmir. Palmira roubou o pé de valsa para si e deixou a outra fazendo vento pelo salão. “Eu frequentava há muitos anos aquele baile, mas essa foi a primeira vez que nos vimos”, afirma o concorrido cavalheiro de 73 anos. Quando a orquestra encerrou a noite, o advogado aposentado, viúvo e pai de quatro filhos se ofereceu para levá-la em casa, na Freguesia do Ó. No vermelho de um semáforo, inauguraram os beijos e engataram o namoro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estivesse ainda em sua cidade natal ou em alguma do interior, “diriam que perdeu a compostura”, afinal, onde já se viu namorar nessa idade? Ela estaria fadada a ouvir as canções sem se levantar da cadeira ao lado de um par. Mas, como os dois vivem na metrópole e seus amigos recém-apaixonados também têm rugas e cabelos brancos, assumiram o desejo de não ficar sós. Há 13 anos, Palmira e Vladmir gastam os sapatos juntos. Elegantes e cúmplices, chamam atenção entre os cerca de 400 frequentadores dos bailes de quarta-feira do Sesc Pompeia: cantarolam com a banda, exibem um repertório de passos qua vai do xote à valsa, dão a volta na pista inteirinha. “Adoro quando ela fica leve, feito aquelas bonecas de pano”, diz ele, ajeitando o bigode. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Saem de lá suados e felizes. E seguem cada um para a sua casa, “para preservar o romance e sentir saudade”. Desde que os filhos formaram as próprias famílias, Palmira e Vladmir moram sozinhos. O casal não quis enxergar tristeza no silêncio dos cômodos vazios, então festejou a independência. “Às vezes eu durmo lá, às vezes ele vem ficar comigo”, diz Palmira. Vez ou outra, enquanto ela borda as encomendas de toalhas, ele sai da frente do computador, aumenta o som e a convida para dançar – ou fazer amor. Mas eles não convivem o tempo todo de rosto colado. “É claro que tem coisa em mim que ele não gosta. E vice-versa. Mas evitamos nos magoar: se um dos dois não abre mão, não funciona”, diz ela. Vladmir completa que se encontraram depois de muitas decepções: “O desafio é não temer que o passado aconteça de novo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não usam uma, mas três alianças no dedo. Tudo para dar volume ao comprometimento e avisar às solteiras do baile – bem mais numerosas que os homens – que não atrapalhem o programa, realizado duas vezes por semana. São ciumentos confessos, sim, como tantos adolescentes. A diferença é que esbanjam um fôlego que só essa maturidade bem resolvida pode ter: “Eu não sou velha, sou idosa. O velho acorda e acha que está mais perto da morte. O idoso dá graças a Deus por mais um dia de vida”, diz Palmira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-7355760369084873701?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/7355760369084873701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=7355760369084873701&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7355760369084873701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7355760369084873701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/06/o-privilegio-de-perguntar-e-ouvir.html' title='Sujeito mais importante que o verbo'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sj6pMRkTiPI/AAAAAAAAAIM/44tmaqwyYfk/s72-c/palmira_vladmir.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-7890825651171567621</id><published>2009-06-16T19:32:00.000-07:00</published><updated>2009-06-22T15:19:46.552-07:00</updated><title type='text'>Meio vazio ou Meio cheio?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SjhfAoGkKnI/AAAAAAAAAIE/hoH9x_bq3kQ/s1600-h/copovazio.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 158px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SjhfAoGkKnI/AAAAAAAAAIE/hoH9x_bq3kQ/s200/copovazio.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5348129021872056946" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Por que você insiste em ver o copo meio vazio?&lt;br /&gt;Coisas (e gente) pela metade sempre me despertaram desconfiança.   &lt;br /&gt;Ninguém fica meio apaixonado, meio chateado. Nem mente ou erra mais ou menos.&lt;br /&gt;Ou seca ou transborda. Ou derruba o líquido ou entorna. Ou fode ou sai de cima.&lt;br /&gt;Insistiram que minha visão andava muito pessimista, envenenada, radical.&lt;br /&gt;Que a porra do copo estava meio cheio. &lt;br /&gt;Peguei o troço, examinei o conteúdo, medi a diferença entre o fundo e a borda.&lt;br /&gt;Fui convencida, mais pela fé que pelas evidências físicas.&lt;br /&gt;- Você tem razão. O copo está meio cheio.&lt;br /&gt;Confesso que a constatação foi um alívio: logo eu, tão pesada.&lt;br /&gt;Saí por aí com um sorriso de orelha a orelha. &lt;br /&gt;Então olho mais uma vez para a minha descoberta...&lt;br /&gt;Não há mais nada lá dentro.&lt;br /&gt;Nem gota, resquício algum.&lt;br /&gt;- Eu esvaziei o copo, Nath.&lt;br /&gt;- Quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Daí que comentaram comigo, dias depois desse post:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"É sempre bom lembrar&lt;br /&gt;Que um copo vazio&lt;br /&gt;Está cheio de ar"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Copo Vazio, Gilberto Gil)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-7890825651171567621?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/7890825651171567621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=7890825651171567621&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7890825651171567621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7890825651171567621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/06/meio-vazio-ou-meio-cheio.html' title='Meio vazio ou Meio cheio?'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SjhfAoGkKnI/AAAAAAAAAIE/hoH9x_bq3kQ/s72-c/copovazio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-881714215707525958</id><published>2009-06-13T15:13:00.000-07:00</published><updated>2009-06-14T15:15:06.639-07:00</updated><title type='text'>Invenções minhas</title><content type='html'>invento, sempre inventei. vejam vocês, que triste. &lt;br /&gt;crianças crescem e abandonam seus amigos invisíveis. param de falar com alguém que existe apenas na imaginação delas. que não pode ser real simplesmente porque é uma criação perfeita - que pensa e fala e responde e age exatamente como elas esperam que seja. eu multipliquei os meus, feito uma ficcionista que produz personagens em série. tão logo faço um amigo, invento um pouco mais de generosidade nele. para um pretendente, o dobro de atitude. meus chefes são mais coerentes, meus pais, mais responsáveis. capricho no figurino que me parece mais adequado e visto essa gente de verdade sem que percebam. e finjo não saber o que há por baixo. mas, como a vida não é ficção minha, erro a medida, o personagem sente que aquilo não lhe cabe e a roupa rasga. acontece sempre. e sempre, nunca de vez em quando, mas sempre, me surpreendo. e aí, mesmo que eu tenha costurado com toda a minha inocência e expectativa, não dá mais jeito. a coisa se esgarça inteira. fico frustrada e emputecida com a história que eu inventei pra mim. destruo o cenário, chuto o personagem com a dor que só eu mesma podia ter também inventado. porque mais perigoso que inventar é acreditar nas invenções. talvez eu tenha que entender que as pessoas são mais parecidas comigo do que eu gostaria. que elas se confundem, mentem, esquecem, mudam de ideia e também estão aprendendo. dia desses um personagem meu, muito melhor humano que na ficção, disse uma frase que me tranquilizou a alma: "você vai se reinventar, querida".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-881714215707525958?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/881714215707525958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=881714215707525958&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/881714215707525958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/881714215707525958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/06/invencoes-minhas.html' title='Invenções minhas'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-5197001387391713167</id><published>2009-06-04T19:33:00.001-07:00</published><updated>2009-06-04T19:43:43.815-07:00</updated><title type='text'>O porre que eu adoraria ter tomado</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SiiCKlBNZ5I/AAAAAAAAAH8/CJjiszHGTBU/s1600-h/vinho.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 193px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SiiCKlBNZ5I/AAAAAAAAAH8/CJjiszHGTBU/s200/vinho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343664076122580882" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos nos falar de vez em quando, vai? Preciso tomar minhas doses de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ouviu com receio. Tinha pensado no próprio vício também. Entre a abstinência dolorosa e a embriaguez ilusória, o que poderia oferecer a ele depois daquela despedida tão delicada? Combinou que a relação dali em diante seria uma taça de vinho de dias em dias. Nada com alto teor alcóolico que terminasse em ressaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela jura que, naquele momento, quis acreditar que amor pudesse se liquefazer. Teria entornado, com gosto, a garrafa inteira no gargalo. Havia sido linda, aquela história. E seria mais fácil, bêbada, tropeçar nas certezas (e ignorar os soluços). Há algum tempo, percebeu que sua maior sede não é do outro. É de si mesma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-5197001387391713167?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/5197001387391713167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=5197001387391713167&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5197001387391713167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5197001387391713167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/06/o-porre-que-eu-adoraria-ter-tomado.html' title='O porre que eu adoraria ter tomado'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SiiCKlBNZ5I/AAAAAAAAAH8/CJjiszHGTBU/s72-c/vinho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-7779107095983243887</id><published>2009-05-26T06:01:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T06:31:22.637-07:00</updated><title type='text'>Quando Chicó quis falar - e eu não soube ouvir</title><content type='html'>Ele tinha um pouco de Chicó, o personagem de Matheus Nachtergaele em O Auto da compadecida. Falava rápido, de um jeito cantado e caricato. Encenava tudo com gestos grandes, cambaleando lá e cá por causa da cachaça que entornara horas antes. A diferença do Chicó morador de rua com a criação de Ariano Suassuna é que os causos daquele não pareciam mentira. Homem franzino, Piauli (nome pelo qual é conhecido nas andanças)escorregou do Piauí, ainda adolescente, quando os avôs que o criavam morreram. "Fui procurar o meu destino que pra aqueles lados num tava, não", diz. Hoje dorme embaixo do banco onde eu estava sentada, em pleno Vale do Anhangabaú, para assistir à peça de um escritor sem teto (do qual falarei em breve). Piauli vive com a regata e a bermuda que lhe cobrem o corpo, mais um chinelo estilo Rider com imensos buracos na sola. E um sabonete. O banho é ali, sem qualquer privacidade: forra o chão com papelão, pega água de chafariz e lava o quanto dá. E nunca dá pra lavar o suficiente, ele mesmo analisa e mostra os dedos dos pés e das mãos, pretos. Pergunto por que não recorre aos albergues da cidade, onde pode ao menos ter um teto das 17h às 6h. "A mocinha sabe o que é dormir com 1.200 pessoas, entre bêbados, ladrões, loucos? Olha isso aqui". Piauli nem precisava apontar: a cicatriz é larga o bastante - atravessa do canto esquerdo do lábio ao meio do crânio. &lt;br /&gt;E enquanto ele explica mais essa história, depois de uma hora e meia de conversa, o interrompo:&lt;br /&gt;- Mas, Piauli...&lt;br /&gt;- Que que é isso? Eu nem sou letrado, tá ligado? Mas sei que é falta de educação não deixar os outros terminar de falar. Tem que saber ouvir, po!&lt;br /&gt;Eu e minha cara de tacho ficamos por ali mais uns 20 min. Imagine o significado de dar ouvidos a quem raramente pode ser escutado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-7779107095983243887?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/7779107095983243887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=7779107095983243887&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7779107095983243887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7779107095983243887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/05/quando-chico-resolveu-falar-e-eu-nao.html' title='Quando Chicó quis falar - e eu não soube ouvir'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-6732860071441311961</id><published>2009-05-14T18:54:00.000-07:00</published><updated>2009-05-15T05:36:27.909-07:00</updated><title type='text'>Margem e "fundura"</title><content type='html'>&lt;strong&gt;"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos"&lt;/strong&gt; - Fernando Pessoa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Margens são sempre seguras. Nelas, os limites ficam tangíveis. A gente vai até onde os pés alcançam. E voltamos em duas braçadas se uma correnteza insiste em nos carregar pra algum lugar. Há quem prefira estar pertinho da terra firme e passe a vida a especular a largura e a "fundura" de tudo que existe até à margem de lá. Pensa que está seguro, mas se afoga em frustrações. Eu resolvi boiar. Ainda que descubra, travessias depois, que margens são melhores não porque seguras. Mas por serem apenas o contorno de todas as possibilidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-6732860071441311961?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/6732860071441311961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=6732860071441311961&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/6732860071441311961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/6732860071441311961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/05/margem-e-fundura.html' title='Margem e &quot;fundura&quot;'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-4542201832215994835</id><published>2009-05-11T19:28:00.000-07:00</published><updated>2009-05-11T19:49:30.421-07:00</updated><title type='text'>Uma História Severina</title><content type='html'>Foi Dia das Mães ontem. E hoje consigo emprestado da jornalista Eliane Brum o curta realizado por ela e Debora Diniz em 2005. Infelizmente não consegui colocar aqui os 23 minutos de filme, nem sei como indicar para quem tiver interesse. Vai o trailer mesmo, que já vale a reflexão. Deixo a sinopse porque faltam palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Severina teve seu destino alterado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Grávida de quatro meses de um feto sem cérebro, ela estava internada no hospital na mesma tarde em que o tribunal cassou a permissão para interromper a gestação. Era 20 de outubro de 2004. Plantadora de brócolis de Chã Grande, Pernambuco, mulher de Rosivaldo e mãe de Walmir, Severina peregrina por fóruns e maternidades por três meses. Pede que lhe abreviem o sofrimento. O documentário testemunha essa trajetória severina - conta o longo dia seguinte que os ministros não acompanharam".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DwjZ27rLAv4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/DwjZ27rLAv4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que Justiça é essa que obriga uma mulher a sentir por meses um coração que só baterá enquanto estiver dentro dela? Que lhe condena a sofrer as dores do parto de um filho morto e lhe oferece, em vez de suporte e compaixão, o atestado de óbito? Isso eu não pretendo entender.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-4542201832215994835?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/4542201832215994835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=4542201832215994835&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4542201832215994835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4542201832215994835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/05/uma-historia-severina.html' title='Uma História Severina'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-2744109151287942698</id><published>2009-05-04T18:31:00.000-07:00</published><updated>2009-05-05T11:59:00.688-07:00</updated><title type='text'>Eu não sei rodopiar</title><content type='html'>- Se eu te chamasse para dançar, moça, você me acharia um velho tarado?&lt;br /&gt;- Não. Eu diria que o senhor tem é muita iniciativa.&lt;br /&gt;- Então dança comigo?&lt;br /&gt;- Não posso. Estou a trabalho. Mas agradeço a gentileza.&lt;br /&gt;- Hm. Que pena. (...) Você deve ser dessas difíceis de conduzir mesmo.&lt;br /&gt;- Na dança?&lt;br /&gt;- Também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SgBTkg8jS0I/AAAAAAAAAHE/tFqzsjlrSXM/s1600-h/dan%C3%A7a.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 146px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SgBTkg8jS0I/AAAAAAAAAHE/tFqzsjlrSXM/s200/dan%C3%A7a.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332353845590969154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Assim começou nossa prosa, ignorando toda e qualquer apresentação. Estávamos às margens do salão central, numa segunda-feira de baile na Sociedade Beneficente União Fraterna, bairro da Lapa. Minha missão, de caderno e gravador em punho, era encontrar um casal de idosos que houvesse começado a namorar nesta fase da vida. Talvez depois de anos de viuvez, divórcio, solidão... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me postei por alguns minutos no topo da escada da entrada, coberta com um tapete vermelho para ser digna de receber quem tanto se preparou para a ocasião. Sobem senhoras com brincos reluzentes e pesados a lhes esticar orelhas, cílios postícios, vestidos longos com fendas maiores ainda. Degrau por degrau, também chegam senhores de camisa engomadinha, barba feita no capricho, perfumados para uma semana inteira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto estranho todas aquelas cabeças brancas e aqueles sorrisos enrrugados bailando num fôlego que eu nunca tive, eles me olham com o canto dos olhos. Eu, uma ninfeta com idade para ser bisneta de alguns. "Ela não devia estar na cama a uma hora dessas?". Eu, de jeans. "Que absurdo! Nem se arruma para vir dançar". Eu, desacompanhada. "Ah, tadinha. Será que veio sozinha mesmo?". Foi como se eu sentisse esses cochichos desfilando das mesas até meus ouvidos. Ri por dentro. Bem pouco. Fui interrompida por esse senhor - e por um inesperado convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teria inventado um jeito simpático de sair daquela situação. Mas não quis. E o tal velhinho me pegou pelo braço, como quem pede atenção: "Tá vendo aquela senhora de roxo? Olha como ela está preocupada em dançar bonito, em fazer o passo certinho. E olha como os ombros dela estão duros, como o parceiro está tenso e acuado". Então meu desconhecido apontou para outro casal: "Esses sabem dançar". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De rostos colados, meio sem ritmo e trombando vez ou outra nos vizinhos dançarinos, eles improvisavam uma coreografia qualquer. Um-dois pra cá, um-dois pra lá. As mãos do negro bigodudo, pousadas sobre as voluptuosas nádegas da senhorinha, comandavam o balanço e saíam de lá apenas pra rodopiá-la. "Você vê como ela gira de olhos fechados? Quem nunca se deixa levar perde o melhor da música - e da vida". Cavalheiro, ele se despediu com um sorriso e emendou, já a caminho de uma mesa: "Ainda bem que aquela doçurinha ali não está trabalhando agora. Adoro essa música".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-2744109151287942698?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/2744109151287942698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=2744109151287942698&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2744109151287942698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2744109151287942698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/05/eu-nao-sei-rodopiar.html' title='Eu não sei rodopiar'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SgBTkg8jS0I/AAAAAAAAAHE/tFqzsjlrSXM/s72-c/dan%C3%A7a.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-3724021793077162367</id><published>2009-04-28T19:46:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T20:54:28.758-07:00</updated><title type='text'>Manual (sujeito a alterações indefinidamente)</title><content type='html'>Aja com naturalidade se eu gritar, chorar e depois pedir colo. Se acontecer de novo, me olhe nos olhos e berre. O mais alto que conseguir. &lt;br /&gt;Detesto bagunça. Mas desarruma minha cama, não lava a louça, larga tua meia desvirada no corredor.&lt;br /&gt;Adoro que você fique. Então levanta e vai embora de vez em quando, deixa a falta ocupar teu lugar na cama. &lt;br /&gt;Dispenso pizza de frango com catupiry. Faz com que eu coma ao menos um pedaço.&lt;br /&gt;Vou te achar horrível de amarelo. Apareça um dia assim vestido apenas para eu ter certeza. Ou me surpreenda.&lt;br /&gt;Direi coisas grosseiras e impulsivas. Nem sempre compreenda: mande à merda e me ignore.&lt;br /&gt;Quero ter o controle. Não se engane: é só para você tirá-lo de mim. &lt;br /&gt;Contrarie, desafie, desconfie, cutuque...&lt;br /&gt;Desse rebuliço que eu preciso.&lt;br /&gt;Para sossegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SffNUitDviI/AAAAAAAAAG8/bmgJTswGHjA/s1600-h/tornado_warning.gif"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SffNUitDviI/AAAAAAAAAG8/bmgJTswGHjA/s200/tornado_warning.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329954436813143586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-3724021793077162367?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/3724021793077162367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=3724021793077162367&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3724021793077162367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3724021793077162367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/04/manual-sujeito-alteracoes.html' title='Manual (sujeito a alterações indefinidamente)'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SffNUitDviI/AAAAAAAAAG8/bmgJTswGHjA/s72-c/tornado_warning.gif' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-5809932914520990810</id><published>2009-04-20T15:25:00.000-07:00</published><updated>2009-04-20T15:38:35.185-07:00</updated><title type='text'>Como derreter corações (em um minuto e meio)</title><content type='html'>Porque eu dei a minha risada mais gostosa ao ver esse vídeo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Y_cShd6G_vk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Y_cShd6G_vk&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"And anytime you feel the pain hey jude refrain &lt;br /&gt;dont carry the world upon your shoulders"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-5809932914520990810?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/5809932914520990810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=5809932914520990810&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5809932914520990810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5809932914520990810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/04/como-ser-espotaneo-em-um-minuto-e-meio.html' title='Como derreter corações (em um minuto e meio)'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-8876955306509147887</id><published>2009-04-18T18:57:00.001-07:00</published><updated>2009-04-18T19:03:27.276-07:00</updated><title type='text'>Um bom domingo à tarde</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SeqGFVUNMtI/AAAAAAAAAG0/SX1V_s1uys8/s1600-h/SDC11985.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326216935498396370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SeqGFVUNMtI/AAAAAAAAAG0/SX1V_s1uys8/s200/SDC11985.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SeqFUOgs9uI/AAAAAAAAAGs/Wx-o9l4H5tA/s1600-h/SDC11985.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.bel.e.o.meu.dedão.do.pé.pintado.&lt;br /&gt;.nossa.infinita.preguiça.&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-8876955306509147887?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/8876955306509147887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=8876955306509147887&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8876955306509147887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8876955306509147887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/04/uma-preguica-infinita.html' title='Um bom domingo à tarde'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SeqGFVUNMtI/AAAAAAAAAG0/SX1V_s1uys8/s72-c/SDC11985.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-2802151643012478349</id><published>2009-04-18T12:05:00.000-07:00</published><updated>2009-04-18T12:14:51.292-07:00</updated><title type='text'>Felicidade: a nossa e a do outro</title><content type='html'>Este texto me foi encaminhado por uma amiga. Pelo que entendi, é de autoria da jornalista Débora Bresser, do Jornal da Tarde. Achei verdadeiro: a gente teima em jogar a responsabilidade da nossa felicidade no outro - e se responsabiliza pela dele também. Vejam se concordam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Você vai me fazer feliz?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não vou. Não sou deus, nem prozac. Sou só um ser humano tentando desgraçadamente ser feliz. Vou fazer o possível para que você seja feliz a meu lado tanto quanto isso puder ser compatível com a minha própria felicidade. Mas não, não vou fazer nada além disso. Até porque, não há nada a ser feito acerca da your private own felicidade. &lt;br /&gt;A sua felicidade é sua mesmo: é você quem faz todo dia, um pouquinho, com dor, com dificuldade, superando os seus monstros, as suas limitações, mudando o que dá pra ser mudado, aceitando e justificando condizentemente o que não dá, rezando, se psicanalisando, correndo, comendo chocolate, meditando, crescendo, sofrendo, perdendo, ganhando, ficando melhor do jeito que você consegue. &lt;br /&gt;Dá um trabalho doido e é solitário, é difícil. &lt;strong&gt;Ser feliz não é para qualquer um, não. É bom que se diga. Muito mais fácil é pedir ao outro que nos faça feliz. Fazê-lo prometer e jurar que vai cumprir e chorar porque o coitado não deu conta do recado – que, frise-se – é impossível mesmo. &lt;/strong&gt;A felicidade (a sua, a minha, a nossa) é um processo de cada um e não sou eu que vai te fazer feliz, assim como você não me fez, não me faz, nem me fará. Eu sou feliz quando estou com você porque aqui no meu processo você faz parte da minha felicidade. Somos um cada um e pode ser que lá pelas tantas a minha felicidade já não caminhe a seu lado, que eu já não seja mais aquilo que você precisa/quer para ser parte da sua vida feliz ou vice-versa. &lt;br /&gt;Pode ser que o que você precise para ser feliz seja achar alguém que pense ser possível ser responsável pela sua felicidade e que lhe prometa isso, por mais impossível que isso seja. Contudo, o que eu posso lhe prometer é tão somente ser sua cúmplice, co-autora e partícipe, mas jamais responsável. Sei que a cada dia que eu te olhar e te ver feliz, vou me sentir parte disso e me orgulhar. Mas se eu tiver que caminhar com o peso de uma responsabilidade impossível, vou me fazer infeliz. Estarei aqui, sim, enquanto tu também fizeres parte da minha felicidade. Para enfrentar os monstros, sim. Para estar triste, também. Para chorar contigo quando der vontade, para te ajudar em tudo que estiver a meu alcance. &lt;strong&gt;Mas só enquanto isso for felicidade, pra ti e pra mim.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-2802151643012478349?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/2802151643012478349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=2802151643012478349&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2802151643012478349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2802151643012478349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/04/felicidade-nossa-e-do-outro.html' title='Felicidade: a nossa e a do outro'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-2431322987624561623</id><published>2009-04-10T08:35:00.000-07:00</published><updated>2009-07-28T19:14:26.309-07:00</updated><title type='text'>O escafandrista e a minha falta de ar</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sd_xXZSiJOI/AAAAAAAAAGU/OnkP6rJMiQg/s1600-h/escafandrista.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323238668803122402" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 162px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sd_xXZSiJOI/AAAAAAAAAGU/OnkP6rJMiQg/s200/escafandrista.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tenho tido tanta urgência de mergulhar na vida que esqueço o tubo de oxigênio. Talvez por isso meu bisavô escafandrista venha aparecendo nos meus sonhos. Como se quisesse dizer que o ar uma hora acaba - e é preciso recuar. Não conheci esse homem que, ainda muito jovem, meteu-se num navio na Polônia e foi viver oceano adentro. Oceano a fundo. Tivesse oportunidade, teria feito muitas perguntas a ele (que disso eu entendo). Ousaria saber se no silêncio de todas as coisas a gente escuta melhor. Se ele tinha mais medo do perigo lá embaixo ou do tédio em terra firme. Se era possível ter bravura sem deixar de ser doce. Esse homem de olhos claros e pose de galã sorri pra mim dos retratos em preto e branco. Eternos nos corredores da minha avó, sua filha. É ela quem me conta que esse Teodor doido por desbravar as profundezas do mundo atracou no Brasil de Conceição. O rapaz, fora d'água, perdeu o fôlego pela soteropolitana. Por ter perdido o fôlego, lançou a âncora e por ali ficou. Deixou a noiva canadense a ver navios. Deixou os pais e os irmãos a olhar pra sempre o horizonte quando a saudade apertasse. Avisou por carta, em palavras doloridas e congestionadas de consoantes, que havia se apaixonado. E isso era mais que suficiente. Teodor e Conceição se amaram por um bom tempo sem falar a mesma língua: entendiam o que o outro queria dizer. Juntos, tiveram três filhos. E netos e bisnetos (geração na qual me incluo). Hoje, gostaria ainda de lhe pedir emprestados o escafandro e o pé de pato. Pra mergulhar mais fundo, pra decorar cada uma das formas e das cores, apesar dos riscos. Quando o ar tiver acabado e me deixado zonza, talvez eu perceba a importância de voltar à superfície.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-2431322987624561623?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/2431322987624561623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=2431322987624561623&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2431322987624561623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2431322987624561623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/04/o-escafandrista-e-minha-falta-de-ar.html' title='O escafandrista e a minha falta de ar'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sd_xXZSiJOI/AAAAAAAAAGU/OnkP6rJMiQg/s72-c/escafandrista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-2754963898456228732</id><published>2009-04-03T15:42:00.000-07:00</published><updated>2009-04-12T12:51:54.829-07:00</updated><title type='text'>O dia em que me apaixonei por Seu Lourival</title><content type='html'>Eu amo o que faço, principalmente, pela oportunidade de conhecer pessoas como ele. Ser jornalista me permite bater na porta dessas vidas sem parecer uma doida curiosa, cheia de perguntas. E, muitas vezes, confesso, esqueço que a visita é a trabalho. Me encanto e me apego aos personagens, o que já virou motivo de chacota lá na redação da Época SP. Tudo começou com um anão motoboy que entrevistei e de quem falei semanas a fio. Mas essa é uma outra história.&lt;br /&gt;Agora estou apaixonada por Seu Lourival. E foi amor à primeira lida.&lt;br /&gt;Fui pautada para escrever uma pequena matéria sobre a Cooperifa, um movimento cultural criado pelo poeta Sérgio Vaz na periferia de São Paulo. Num boteco de quebrada localizado entre os bairros mais perigosos da cidade (Capão Redondo, Jardim Ângela e Piraporinha), pertinho de um cemitério em que 80% dos "moradores" foi assassinado, se recita poesia. Gente que, de cerveja em punho e pratão de toicinho e mandioca cozida na mesa, esquece o futebol e a novela na televisão. Que toda quarta-feira, às nove da noite, se aglomera em um silêncio sagrado pra ouvir POESIA de todo tipo. São cerca de duzentas pessoas - entre poetas e ouvintes respeitosos. Enquanto alguém recita uma dor de corno, um amor impossível, um desabafo de cunho social ou uma doidera qualquer, não há espaço para risos debochados e vaias. Há quem traga seus versos decorados, quem recorra a uma leitura sofrível no papel de pão, quem interprete cada palavra com alma de ator. Seja como for, a plateia incha as mãos de tanto aplaudir. Vi choro, arrepio, perplexidade, torcida. E me vi assim logo que o desajeitado Seu Lourival se postou diante do microfone. Baiano de Riacho de Santana, esse homem de 70 anos é a pérola da Cooperifa. É um poeta anarquista, sem saber que o é. Na poesia dele, rimas nem sempre são necessárias e erros de português não são crimes. Até porque, tivesse ele estudado além da quarta série, não seria desse jeito. Desde pequeno, Seu Lourival achava bonito quando ouvia repentistas no Nordeste. Aquelas palavras ajustadas a acontecer, de tempo em tempo, com sons parecidos. "E não é que de rima em rima, virei poeta, moça?", ele me avisa, pra que sua conquista não passe despercebida. Casado há 43 anos, o vigia aposentado confessa que gosta mesmo é de escrever coisas românticas. Pra mulher, Seu Lourival? "Ah, ela não liga muito, não. Mas aqui na Cooperifa a mulherada me chama de garanhão", e ri, todo safado. Meio atrapalhado e muito humilde, ele não consegue se expressar na velocidade das ideias. Tropeça nas palavras, engole raciocínios, pede calma pra pensar. Ralhado em casa e por desconhecidos, não desistiu de expressar seus sentimentos. É sábio porque escuta o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, o poema que declamou no dia em que o conheci. Quis colocar exatamente do jeito que ele escreveu. Seu Lourival, é com você:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SeJFj0LGy_I/AAAAAAAAAGk/RpcAuHZD0Pw/s1600-h/lourival.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323894191108312050" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 190px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SeJFj0LGy_I/AAAAAAAAAGk/RpcAuHZD0Pw/s200/lourival.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;"Primeiro ti conheci despois vei amizade&lt;br /&gt;Mais agora eu confeço que ti amo de verdade&lt;br /&gt;Atravecei o riu Paraná num pedaço de barbante&lt;br /&gt;Arisquei a minha vida por uma simpri estudante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Si eu fosse o seu professor, eu sentia emoçãu&lt;br /&gt;Mais eu sou apaichonado e vou dar meu coraçãu&lt;br /&gt;Eu queria que chuvesse uma chuva bem fininha&lt;br /&gt;Pra molhar a sua cama pra você dormir na minha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela mim deu um beijo que meu corpo estremeceu&lt;br /&gt;Despois de nove messe um lindo bebê nasceu&lt;br /&gt;Ela mim pediu nãu beijar no portãu&lt;br /&gt;Porque seu pai é cego mais os seus vizinhos nãu é cegos nãu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nãu quer te perder porque minha vida fica em sofrimentos&lt;br /&gt;Isto porque eu ti amo loucamente&lt;br /&gt;Si eu governasse os seus olhos, eu queria que fosse assim fechado&lt;br /&gt;Para abrir só para mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos de plata, seus lábios de porcelana&lt;br /&gt;Eu beijei uma vez e sentir feliz uma semana&lt;br /&gt;No cofre do pençamento eu tranquei minha paichãu&lt;br /&gt;A chave da felicidade foi cair em minha mãu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem querer saber meu nome, dar uma volta no jardim&lt;br /&gt;Pois o meu nome está escrito numa folha de alegrim&lt;br /&gt;Gestaine em francês, ylôve em ynglês&lt;br /&gt;Si vocês nãu intendeu&lt;br /&gt;Eu ti amo em português".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-2754963898456228732?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/2754963898456228732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=2754963898456228732&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2754963898456228732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2754963898456228732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/04/o-dia-em-que-me-apaixonei-por-seu.html' title='O dia em que me apaixonei por Seu Lourival'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SeJFj0LGy_I/AAAAAAAAAGk/RpcAuHZD0Pw/s72-c/lourival.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-1152819074446903830</id><published>2009-03-27T05:24:00.000-07:00</published><updated>2009-03-27T05:25:34.768-07:00</updated><title type='text'>A maior covardia</title><content type='html'>Quero fugir de mim mesma. Dá?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-1152819074446903830?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/1152819074446903830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=1152819074446903830&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1152819074446903830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1152819074446903830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/03/maior-covardia.html' title='A maior covardia'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-3578670290481485941</id><published>2009-03-22T15:35:00.000-07:00</published><updated>2009-08-26T07:58:16.036-07:00</updated><title type='text'>Das provas mais difíceis</title><content type='html'>Ontem foi meu baile de formatura. Voltei pra casa pensando que certamente perderei o contato com 90% daqueles que fizeram parte da minha rotina nos últimos 4 anos. Vou ficar realmente triste por pelo menos 10%...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A faculdade me aplicou provas dificílimas. Não as de teoria da comunicação, metodologia científica ou planejamento gráfico. Para essas, tinha cola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria Cásper. Tive que lidar com uma frustração e tanto. E, para minha surpresa, em uma semana não conseguia me imaginar naquele prédio da Paulista. O bosque da Metô era muito mais interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria morar sozinha. Tive que lidar com uma saudade imensa de Santos, dos amigos, da família. Com o feijão que queimava, com as contas que esquecia de pagar, com os conflitos Brasil X Argentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria me identificar. Tive que lidar com gente completamente diferente: alternativos, cocotas, maníacos por futebol, nerds... E não é que, de alguma forma, a troca foi positiva. Levo alguns bons amigos e lembranças boas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria ficar solteira. Tive que lidar com um sentimento que extrapolava qualquer casinho besta. Alguém que namorava, que nem me dava tanta trela, que era tudo que eu nunca quis pra mim. E era incrível mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria liberdade. Tive que lidar com uma convivência deliciosa no início, mas potencialmente estressante. Espaços que pareciam menores quando compartilhados todo santo dia. Graças à paciência e ao respeito, não nos sufocaram por inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo, eu ainda não sei o que fica, o que vai, o que parecerá nunca ter acontecido. Mas é bom saber que, de um jeito ou de outro, aconteceu. Que apesar de todos os deslizes, inseguranças e surtos... eu fui aprovada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-3578670290481485941?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/3578670290481485941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=3578670290481485941&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3578670290481485941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3578670290481485941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/03/das-provas-mais-dificeis.html' title='Das provas mais difíceis'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-4836683573743720961</id><published>2009-03-15T16:26:00.000-07:00</published><updated>2009-03-17T12:26:01.649-07:00</updated><title type='text'>Interseção</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sb2h_p7lNRI/AAAAAAAAAE4/xbNpCIsmja4/s1600-h/interse%C3%A7%C3%A3o.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5313581250326639890" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 108px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sb2h_p7lNRI/AAAAAAAAAE4/xbNpCIsmja4/s200/interse%C3%A7%C3%A3o.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Vinícius de Morais disse que "a vida é a arte do encontro". E não é que, quando descobri a frase, ela calhou de ser assim... uma ironia afiada? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Eu encontrei Gabriel e Vera porque os dois, muito antes, lá em 1941, se descobriram vizinhos em Belo Horizonte e cismaram de continuar encontrando um ao outro. E porque os encontros foram tão maiores que os desencontros, o casal está prestes a completar bodas de diamante. A filha mais velha deles decidiu fazer uma surpresa e contratar um jornalista para escrever um livro sobre essa história que mais parece ficção. Ela encontrou o Camilo, das pessoas mais lindas que já encontrei, e me convidou para o projeto. Quando toda essa gente e essa oportunidade de aprendizado me encontraram, fui eu que me encontrei desconfiada. Como podia? Preencher páginas sobre um amor que eu nem acreditava possível enquanto meus pais colocavam um ponto final diante do juiz? Dois casais se encontravam diante de mim: um brigando pelo direito de se separar, outro pelo direito de ficar junto além da vida. Tive que encarar. Não encontrei solução melhor.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-4836683573743720961?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/4836683573743720961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=4836683573743720961&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4836683573743720961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/4836683573743720961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/03/intersecao.html' title='Interseção'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sb2h_p7lNRI/AAAAAAAAAE4/xbNpCIsmja4/s72-c/interse%C3%A7%C3%A3o.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-7458148411765582194</id><published>2009-03-05T18:44:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T19:36:45.238-08:00</updated><title type='text'>Carta sobre a mudança</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SbCUHAcc7bI/AAAAAAAAAEo/_wm0Myo1Udw/s1600-h/chaves.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309906808769146290" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 134px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SbCUHAcc7bI/AAAAAAAAAEo/_wm0Myo1Udw/s200/chaves.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Caro novo inquilino,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou sacodir as cortinas, esvaziar os armários, encaixotar memórias e te entregar a chave. Que a sua individualidade exija menos metro quadrado. Que andar de lado na cozinha e tomar banho sem abrir os braços não te incomodem tanto. Que a falta de ar circulando e luz natural não deixem sua rotina com cheiro de guardado. Que o vizinho de cima compre um cinzeiro e pare de decorar a tua varanda. Que o da frente faça sexo sem gemer tão alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive bons momentos por aqui, acredite. A gente se adapta às circunstâncias. Ah, desculpe a poeira acumulada no carpete. Desisti dela com o tempo - ou com a falta dele. Pode varrer todos os vestígios. Eu tenho mesmo que me mudar: preciso de espaço. E espero me redimensionar com ele. Sorte que lá existem muitas janelas. A vida pede essa arejada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenciosamente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ex-inquilina dos 35 metros quadrados&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-7458148411765582194?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/7458148411765582194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=7458148411765582194&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7458148411765582194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7458148411765582194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/03/carta-ao-novo-inquilino.html' title='Carta sobre a mudança'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SbCUHAcc7bI/AAAAAAAAAEo/_wm0Myo1Udw/s72-c/chaves.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-2597981914800383637</id><published>2009-03-05T07:15:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T19:34:22.158-08:00</updated><title type='text'>Pauteiros da vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sa_uD4TeJRI/AAAAAAAAAEg/C4pyi-4Vaog/s1600-h/formada.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309724236114175250" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sa_uD4TeJRI/AAAAAAAAAEg/C4pyi-4Vaog/s320/formada.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Jornalista formada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, a homenagem que fiz aos pais na colação de grau.&lt;br /&gt;Lindo ver o orgulho de todos eles. De pé no salão, num silêncio absoluto. Quis advinhar o que passaram com seus filhos até aquele momento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Seus filhos agora são oficialmente jornalistas. Mas o mérito dessa notícia não é só nosso, não. Vocês foram bons pauteiros. A pauta, nessa profissão, é o ponto de partida que orienta como uma reportagem que deve ser feita, que mostra ao repórter o que ele encontrará pela frente, que estimula a enxergar um acontecimento sob vários aspectos. É uma função às vezes chata porque trabalhosa e injustamente pouco valorizada. Ainda que não entendam esse conceito que aprendemos no inicio da faculdade, vocês formularam nossas pautas desde sempre. Foi assim quando escolheram nossa primeira escolinha, quando elogiaram um desenho tosco, quando disseram "não" à alguma malcriação, quando ficaram apertados para pagar a mensalidade, quando abriram mão dos próprios sonhos em benefício dos nossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pauteiros dedicados 24 horas ao ofício que tanto amam, vocês passaram os recursos e as informações essenciais para que nós pudéssemos construir as nossas histórias. Sei que alguns de vocês se cobram, se culpam. Gostariam de ter proporcionado mais, ter mimado menos, ter acompanhado mais de perto ou dado mais autonomia. Mas... ainda bem que na vida e nas redações não existem fórmulas. Ainda bem que vocês ficaram em dúvida, que erraram... A pauta não pode vir toda pronta: há quem diga que repórter (pra ser bom) tem que sujar sapato, suar a camisa, aprender sozinho, passar por apuros. Pra se dar conta da própria capacidade. E até mesmo do que não é capaz de fazer sozinho. Porque a verdade, cá entre nós, é que nem sempre demos aos pauteiros o crédito merecido. A gente emplaca a reportagem, ganha manchete, recebe elogios... e esquece (ou ignora) quem deu todo o suporte para o sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que eu estou aqui. Pra dizer que hoje estamos comemorando não apenas a nossa conquista. Foi um longo trabalho em equipe, que começou antes mesmo do tempo em que precisávamos de uma mão nos ensinando a segurar o lápis. Se nos formamos agora como jornalistas, é porque vocês nos formaram para a vida. Uma faculdade diária, em tempo integral, sem direito a férias. Talvez por isso muitos de vocês pensem como esses quatro anos voaram. Claro, vocês estão há uns 20 anos vendo esse amadurecimento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, a vocês, pais por natureza, por opção e amor, não bastaria um muito obrigado. Pela dignidade com que nos educaram, pelo amor incondicional, pelos esforços imensuráveis. Vocês que suportaram nosso mau-humor depois de virar a madrugada fazendo trabalhos de última hora, que acordaram mais cedo para nos dar carona, que compreenderam os plantões nos finais de semana e as angústias de quem quase desistiu desse diploma: muitíssimo obrigado é bem pouco. A todos que morreram de saudade dos filhos longe de casa, que ofereceram colo por telefone e enviaram energias positivas, todo o nosso reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós também estamos orgulhosos. Essa conquista é de vocês".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/LpYFXvv5O7Q&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/LpYFXvv5O7Q&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-2597981914800383637?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/2597981914800383637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=2597981914800383637&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2597981914800383637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2597981914800383637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/03/pauteiros-da-vida.html' title='Pauteiros da vida'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/Sa_uD4TeJRI/AAAAAAAAAEg/C4pyi-4Vaog/s72-c/formada.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-5864083806640640318</id><published>2009-03-02T04:15:00.000-08:00</published><updated>2009-03-02T04:55:38.529-08:00</updated><title type='text'>despedidas não se adiam</title><content type='html'>- É câncer, filha. Não tem mais jeito, não. Pode demorar um dia, duas semanas ou três meses. Dificilmente passará disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai me avisou. Disse, nas entrelinhas, que seria bom encontrar um tempinho para me despedir do meu terceiro avô. Casado com a minha avó paterna desde que me lembro por gente, o Waldô era homem caipira, do tipo que "vai a cidade" uma vez por dia buscar jornal, pão e alguma coisa para distrair as crianças: papel de pipa, bala, lápis de cor... Desconfio que nos amava mesmo, em toda sua simplicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Internado há cerca de um mês no Hospital do Câncer, dez minutos de carro da minha casa, foi vendo a vida se esvair. Lúcido. Que dor maior pode existir? A mulher companheira ao lado, os filhos, os netos, tudo acontecendo pela televisão... e falta ar para dizer o quanto gostaria de ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi que na quarta iria vê-lo. Não fui: perdi a hora e precisava correr para o trabalho. Tudo bem, ele pode esperar. Marquei de ir na quinta: o exame médico atrasou. Tudo bem, custava nada esperar até amanhã. Vou na sexta: preguiça de pegar o metrô. Ah, vejo ele depois do carnaval. No sábado, fui viajar para Angra dos Reis. Dessa vez, enquanto eu estava na estrada, Waldô precisou ir. E foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube da morte dele na quarta-feira de cinzas. Não quiseram me contar. Faço um esforço para lembrar quando foi a última vez que o vi, na esperança de que talvez eu tenha sido mais gentil, mais carinhosa, mais agradecida. Fui, não. Vi o Waldô pela última vez após a meia-noite do último dia de 2008. Dói pensar que talvez nunca mais o veja. Agora me pergunto como pude justificar a minha falta de tempo a alguém que não o tinha mais?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-5864083806640640318?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/5864083806640640318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=5864083806640640318&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5864083806640640318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5864083806640640318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/03/despedidas-nao-se-adiam.html' title='despedidas não se adiam'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-8422011970795271834</id><published>2009-02-17T18:47:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T11:20:27.767-08:00</updated><title type='text'>A vida que ninguém vê</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SZ7-CnSkBwI/AAAAAAAAAEA/oN3sB7yBdqw/s1600-h/Capa72dpi.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304956731949057794" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SZ7-CnSkBwI/AAAAAAAAAEA/oN3sB7yBdqw/s320/Capa72dpi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Muitos olhares alcançam a mulher da esquina sem enxergar a via extensa de sua vida, as ruas paralelas, os becos sem saída. O que escondem essas silhuetas anônimas tão expostas à libido, à piedade, ao repúdio?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Coloco abaixo meu capítulo preferido de "Além da Esquina: histórias de mulheres que se prostituem em São Paulo", livro-reportagem para o Tcc de jornalismo em parceria com meu namorado, Felipe Oda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Capítulo: Linette&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;- Amor, tô cansada de lavar, passar, cozinhar, fazer faxina, costurar. Nunca te vejo. Vamos sair pra namorar?&lt;br /&gt;- Já se olhou no espelho? Você está velha, nem um cachorro te quer! Se não está feliz, vá embora..., respondeu o marido. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O episódio deu linha para que Ana, 39 anos, começasse a costurar a mulher que não era. Pegou o tecido de sua vida e riscou um novo formato. Com uma agulha afiada de mágoa, a dona de casa da periferia da zona leste juntou a necessidade financeira à decepção amorosa. Lá estava o figurino pronto. Ana vestiu-se de Linette. E percebeu que o caimento ficara melhor do que havia planejado. Quase como uma segunda pele. Pudera. Linette, a garota de programa, lhe devolveu o prazer de se sentir desejada e rendeu um dinheiro que a costureira jamais imaginara. Logo ela: conservadora, recatada mãe de quatro filhos, casada pela segunda vez há 22 anos com um açougueiro. Mas ser a outra era tentação demais. “Em 2005, abri os classificados atrás de emprego como doméstica. Vi um anúncio para trabalhar em uma casa noturna. Duzentos reais por dia. Achei que era para garçonete e me candidatei.” Quando se deu conta de que o que se servia ali era algo muito mais íntimo, a destruída auto-estima de Ana falou mais alto. Imagina, “mulher que nem cachorro queria” seria útil apenas para cuidar das meninas, pensou. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;A zona não seria tão exigente quanto o marido. No primeiro dia foram oito programas. O recorde, ela jura, foi de vinte e sete clientes em vinte e quatro horas. Então, não quis mais voltar para casa. Deixou os filhos com o marido - porque ao menos um bom pai ele era – e mandava o dinheiro do feijão. Feito isso, pendurou-se num cabide por dois anos: queria só andar de Linette. Morou em boates, privês e depois alugou um flat. Deslumbrou-se com a liberdade e com o lucro rápido. Até que seu celular tocou. A realidade de Ana estava chamando. “Que é? Enquanto eu cuidava das crianças, você falava que era mamão com açúcar!”. Marcos, enlouquecido com as tarefas cotidianas, pedia que a esposa voltasse. Mas sabia que ela não voltaria sozinha. Antes de sair de casa, a costureira havia sido flagrada ao telefone negociando o valor e o local de um atendimento. O homem teria que pisar no orgulho para dividir o teto com Ana e Linette. As duas coexistiam e não seria mais possível separá-las. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Para aceitar esta condição, Marcos tirou suas vantagens. “Ele começou a fazer contas e, por achar que eu ganhava dinheiro fácil, não queria trabalhar”. Sem querer, a atitude do marido contribuiu para o sucesso profissional de Linette. Se ele fazia corpo mole, ela trabalhava duro. Ficou tão conhecida e requisitada por seus atributos físicos que foi convidada pela produtora pornográfica Explícita a lançar seu primeiro longa-metragem: “Um Metro e Meio de Bunda”. Estima-se que cerca de mil cópias tenham sido vendidas – fora os números da pirataria. A performance com 1m26 de preferência nacional ainda pôde ser conferida em outras 22 fitas estrangeiras. A costureira ingressou em uma indústria que movimenta R$ 850 milhões anuais no Brasil (contra R$ 10 bilhões do mercado norte-americano) e produz cerca de mil vídeos por ano, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico e Sensual. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Em um filme pornô, Linette ganha R$ 1.500 por uma hora em cena. Ana só atingiria essa quantia se ficasse sobre a máquina de costura dez horas diárias durante três meses. Tempo suficiente para produzir 18.600 camisetas, pelas quais recebe oito centavos por unidade. Cada camiseta é vendida nas ruas do Brás e Bom Retiro a, pelo menos, dez reais. “Perguntam se acho digno o que eu faço. Eu acho! Porque é terrível acordar quatro da manhã, pôr um ovo na marmita, ficar o dia inteiro numa firma pra ganhar R$ 300. Qual é mais fácil? Raciocina, pára pra pensar. Não tô falando que ser garota de programa é lindo, mas não estou fazendo nada criminoso”. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;O que está fora dos parâmetros éticos de Ana é carregar um filho debaixo do braço para pedir esmola no semáforo. Ela acredita ser uma mãe melhor se prostituindo e camuflando os sacrifícios que enfrenta. A negra de 1m50 de altura e trajes tão discretos que a fazem parecer uma secretária mantém-se nos bastidores, atrás das cortinas. Enquanto isso, Linette experimenta o glamour dos holofotes.&lt;br /&gt;- Ô, Ana... Um amigo meu lá do açougue disse que viu sua bunda no DVD.&lt;br /&gt;- Ah, é? Fala pra ele que são cem reais a hora. E pra você, que dorme toda noite na cama comigo, são seiscentos.&lt;br /&gt;- Você tá maluca!&lt;br /&gt;- Se você não quiser, a gente se separa, não tem problema. Da zona eu não saio. Você que é maluco: tinha uma mulher que fazia tudo em casa e achou que isso não valia nada. Agora eu sou linda, tenho até grana pra ir ao cabeleireiro. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Ana estava vingada. Diz-se satisfeita porque Marcos a considerava uma broaca e agora tem ciúmes, fica bravo quando ela sai de Linette. “Não fiz nada que ele não merecesse”. A ex-costureira poderia ter sua independência e se desvencilhar do casamento falido, mas não o faz. “Ué, não é interessante. Não tenho para onde ir. Mulher pobre fica com o homem por causa de tijolos. Duro dizer isso...” Esse é o dilema de Ana: ela paga as contas, mas a última palavra vem do dono da casa. Normalmente, Marcos se limita a dizer “Onde você enfiou o dinheiro? Sei que ganhou mais”. Ganhou mesmo. E guardou para o futuro. Ana se previne por ter certeza que daqui a três anos Linette não consegue nem para o sal. “As garotas de programa têm um defeito: esquecem que vão envelhecer e essa grana toda vai fazer falta.” Da extrema pobreza que viveu na infância, quer distância. Para ela e para os filhos. Luta para que eles não precisem entrar no armário, como ela precisou quando criança, para se proteger da chuva que alagava o barraco na Vila Ema e fazia força para carregá-lo. E que nunca mais matem a fome com um pão seco doado pelo vizinho. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Naquela época da vida de Ana, a carência não era só de comida e de um lar estruturado. Chorou mais pelo descaso da mãe faxineira, que não a aceitava por ser a única negra entre os três irmãos. “Ela era branca e não gostava de preto. Era racista, me batia. Foi muito cruel comigo. Acho que se revoltou por ter engravidado aos catorze anos e descontou esse sofrimento em mim.” O pai não pôde defendê-la porque saiu de casa para morar com outro homem. A menina não demoraria a sair também. Aos dezesseis, foi obrigada a arrumar as malas. A mãe cismou que Ana havia se perdido com o namorado. “Eu perdôo todas as maldades dela. Era pura ignorância.” Virgem e sem meios para seu sustento, teve incentivo das cinco primas prostitutas, que a levaram para fazer strip nas casas noturnas. “Como eu era de menor, não podia fazer programa.” Linette ainda não estava nos planos de Ana. Pouco tempo mais tarde, ela casou apaixonada. Separou-se quatro anos depois por não agüentar o envolvimento do parceiro com as drogas.&lt;br /&gt;Engravidou duas vezes no primeiro casamento. A primogênita já está noiva com 21 anos. Lara, dois anos mais nova, sumiu às cinco da tarde de um dia de 1996 que Ana não quer lembrar. Ela foi à delegacia quando percebeu que a filha não estava por perto, mas o “doutor” informou que só poderia ajudá-la após 24h do desaparecimento. Finalmente encontraram a menina. Morta em uma caixa de papelão. Estrangulada e estuprada aos sete anos. O inquérito foi arquivado. “Tinha uma vida feliz e nem sabia. Tive que juntar os cacos e tentar recomeçar.”&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Marcos, o atual marido, representou a esperança de uma nova vida. Ele assumiu a filha de Ana e providenciou mais duas crianças: uma garota e um garoto, hoje com 12 e 9 anos. O segundo casamento, segundo ela, foi perdendo o encanto para a rotina. No início, a dona de casa fã da dupla sertaneja Bruno e Marrone cantarolava baixinho a música “Deixa”: Já não consigo entender, se quem amou pra valer diz que agora tanto faz! Que já não me quer mais... Agora parece mais conformada. “Quando ele tá a fim, lembra que eu existo. Dá aquele tapinha pra me chamar e depois vira de costas. Mas isso é vida de marido e mulher”.&lt;br /&gt;Prazer, só fora de casa e eventualmente, quando Linette acaba se deixando envolver por um cliente. Nesses casos, diz, são dez minutos de ilusão. “Talvez eu nunca mais o veja. Não posso ir para casa e lembrar dele no dia seguinte”. Ana costurou firme o coração de Linette. E também lhe transferiu limites morais. Por dinheiro vale freqüentar uma casa de swing, atender mulheres e pedidos bizarros – como um cliente que se excita com o álbum de casamento dos pais. Mas gostar disso? De jeito nenhum! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;- O cara leva a esposa para vê-la transando com vinte homens de uma vez. Acho estranho demais. Se existe inferno é aquilo lá! Também fico chocada quando um cara fala ‘me faça de privada’. E a primeira vez com mulher? Deus do Céu! Fiz igual vejo os homens fazerem. Credo, eu chegava a arrepiar de nojo. Topei porque mulher paga dobrado.&lt;br /&gt;- Então é mais fácil ser atriz pornô?, perguntamos.&lt;br /&gt;- Claro que não! O programa é rápido e você faz o que quer. É você quem controla o cliente e faz ele gozar logo. Não precisa fazer caras e bocas. A atriz pornô tem uma performance pra gravar. A rotina é bem mais intensa porque os atores são “grandes”, né? E eles não se envolvem, é como um boneco sendo manuseado. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Apesar de considerar o programa mais fácil, Linette afirma que a garota deve se impor para ser respeitada. Quanto mais barato, mais o cliente abusa: quer aproveitar até o último centavo. “A mulher vale o que ela cobra”. Duzentos reais é o preço pela companhia dela. Pelo menos é o que nos diz. No entanto, uma consulta ao GPGuia.Net (fórum criado por clientes para resenhar as prostitutas) indica o valor de cinqüenta. Não importa. Para Linette, se o homem paga é porque a quer muito. “Tem mulher que dá pra Deus e o mundo. É galinha do mesmo jeito que a puta. Pior: não está cobrando. Pra mim ela é burra, amiga. Ela vai embora de ônibus e eu, de táxi”.&lt;br /&gt;O dinheiro que Linette traz para Ana significa tanto que enquanto o celular tocar, ela continuará se prostituindo e correndo os riscos da vida dupla. No final de 2007, seus cunhados compraram um DVD pirata de Linette. Reconheceram Ana, de fio dental e cinta-liga. Ela negou tudo. “Foi o maior bafão. Minha sogra disse que queria morrer preta no inferno se aquela não era eu com um negão dos EUA.” Insistiram até Ana admitir. As filhas, que viram a capa do filme, não a condenaram: “Mãe, a senhora é maravilhosa. Não está faltando nada pra gente”. Já o marido se fez de vítima para a família. Alegou que não sabia de nada e que há tempos dormiam em camas separadas. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Apenas a face atriz pornô de Linette havia sido desmascarada. Mesmo assim, Ana se arrepende apenas por não ter começado a se prostituir antes. “Sou mais feliz hoje. Se soubesse que minha vida seria isso, nunca teria saído da boate. Seria garota de programa dos dezesseis aos cinqüenta. Construí um castelo de areia que desmoronou. Achei que a felicidade era o casamento, um lar e uma família.” De tudo aquilo que a costureira modelou para seu destino, sobraram apenas retalhos. Linette é o avesso da colcha de retalhos de Ana. Está escondida do lado de dentro, mas faz parte do mesmo pano, divide a existência com a mesma mulher. Quando Ana percebeu a linha que as unia, foi Linette quem pegou toda culpa e angústia de ambas e deu o ponto final. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-8422011970795271834?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/8422011970795271834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=8422011970795271834&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8422011970795271834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8422011970795271834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/02/vida-que-ninguem-ve.html' title='A vida que ninguém vê'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SZ7-CnSkBwI/AAAAAAAAAEA/oN3sB7yBdqw/s72-c/Capa72dpi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-8774424526792971386</id><published>2009-02-15T12:43:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T02:50:05.326-08:00</updated><title type='text'>a estação que eu não vi</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SZh-nsSZFAI/AAAAAAAAAD4/WR9GATco73E/s1600-h/caoguia.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303127781597058050" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SZh-nsSZFAI/AAAAAAAAAD4/WR9GATco73E/s320/caoguia.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta última sexta, enquanto eu voltava do trabalho para casa, ele encontraria os amigos num bar. Raja, sua fiel companheira, o guiaria até a Rua Augusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André tem 24 anos, é casado, formado em ciências sociais, mestrando em ciências políticas pela USP. E cego. Não fosse essa última condição, passaria invisível por mim na catraca do metrô Vila Madalena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ele pudesse me ver, talvez eu não o tivesse seguido pela escada rolante, pela plataforma, pelo vagão. Sentei ao lado dele e não resisti:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Morde?, perguntei, já esticando a mão no focinho da labradora chocolate.&lt;br /&gt;- Não. Mas você não deve acariciar um cão-guia quando ele está a trabalho.&lt;br /&gt;- Não sabia...&lt;br /&gt;- Tudo bem. É que eles não podem se distrair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raja, 2 anos e 7 meses, precisou de um mês de treinamento para ser os olhos de André. Hoje, acompanha todos os seus passos. Ficamos ali, conversando, e esqueci das estações. Sequer ouvi o alarme das portas e o anúncio do funcionário do metrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A estação que passamos agora foi a Consolação?, ele quis saber.&lt;br /&gt;- Não sei, André. Eu não vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele achou engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não VIU? Como você diz isso para um cego?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava certo: havíamos chegado na Trianon-Masp.&lt;br /&gt;E eu não vi porque, de fato, ver parecia quase insignificante diante da superação dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-8774424526792971386?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/8774424526792971386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=8774424526792971386&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8774424526792971386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8774424526792971386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/02/estacao-que-eu-nao-vi.html' title='a estação que eu não vi'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SZh-nsSZFAI/AAAAAAAAAD4/WR9GATco73E/s72-c/caoguia.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-8670548861038314198</id><published>2009-02-12T10:19:00.000-08:00</published><updated>2009-02-12T11:51:19.964-08:00</updated><title type='text'>De nariz vermelho</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SZRoTR9uyPI/AAAAAAAAADw/haYJcR_i-4Q/s1600-h/nath4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301977341771041010" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 223px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SZRoTR9uyPI/AAAAAAAAADw/haYJcR_i-4Q/s320/nath4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que eu não lembro delas. Da foto, da menina.&lt;br /&gt;Por isso fiquei surpresa ao encontrá-las, assim que girei a chave, sobre a mesa de casa.&lt;br /&gt;Havia pedido a minha mãe que separasse fotografias de quando eu era criança. Preciso repassá-las à comissão de formatura, que irá colocá-las num telão durante a festa.&lt;br /&gt;Então as duas estavam lá, fazendo graça com a minha memória fraca.&lt;br /&gt;Diante da "palhacice" da situação, do batom vermelho borrado, dos olhinhos apertados de alegria, das xuquinhas tortas (alinhadas à franjinha, torta)... o stress do trabalho ficou do outro lado da porta.&lt;br /&gt;Olhar para si mesmo, de vez em quando, pode ser uma experiência divertida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-8670548861038314198?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/8670548861038314198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=8670548861038314198&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8670548861038314198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8670548861038314198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/02/de-nariz-vermelho.html' title='De nariz vermelho'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SZRoTR9uyPI/AAAAAAAAADw/haYJcR_i-4Q/s72-c/nath4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-7200007357612078582</id><published>2009-02-10T17:50:00.000-08:00</published><updated>2009-02-10T18:03:29.753-08:00</updated><title type='text'>gota d'água</title><content type='html'>gota a gota, a me irritar enquanto escrevo, enquanto janto, enquanto deito pra ver tv, enquanto tento não pensar em nada. gota e mais outra gota. abstraio. só até o barulho gotejar no meu ouvido novamente. quero que essa marcação do tempo pare. já abandonei o relógio por isso. mas... nada. aperto o registro, fecho a porta, aumento o som. e ainda sinto que aquela água continua se esvaindo fora do meu controle. estou cansada. comprei uma revista há uma semana e só tive tempo de analisar a capa. duas bitucas de cigarro jogadas por um vizinho na minha varanda já estão quase camufladas no piso. minha planta morreu de sede. e há tanta gota desperdiçada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-7200007357612078582?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/7200007357612078582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=7200007357612078582&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7200007357612078582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/7200007357612078582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/02/gota-dagua.html' title='gota d&apos;água'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-5032318321000200859</id><published>2009-02-04T12:26:00.000-08:00</published><updated>2009-02-04T17:20:34.494-08:00</updated><title type='text'>Dores desnecessárias</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SYo-hQqZH8I/AAAAAAAAADg/fkjNG9Ii6JM/s1600-h/120wi20yoga0we.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299116652684189634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SYo-hQqZH8I/AAAAAAAAADg/fkjNG9Ii6JM/s320/120wi20yoga0we.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Não, Nathalia. Essa dor não é normal. Ela é sinal de que você ultrapassou seus limites", disse, colocando o dedo na ferida sem cerimônias. Saí da yoga com um calombo no ombro direito e uma fisgada atrás da coxa esquerda. Mas aquela resposta é que ficou latejando em mim o dia inteiro. Eu poderia jurar, na melhor das intenções, que era preciso sentir dor nos exercícios para alcançar uma espécie de patamar do além que me libertaria dela. Ou, no mínimo, pra que eu tivesse certeza (física) do meu esforço pelo perfeccionismo. E, não, eu não alcancei o movimento perfeito nem entrei em transe depois de intenso sacrifício. Só pensava quantos comprimidos de dorflex seriam necessários para que eu voltasse a andar sem franzir a testa. Fui conversar com a professora, crente que ela me recomendaria algum outro chá relaxante e diria que isso faz parte do processo de aprendizagem. E ela me vem com essa. Acrescenta, aliás: "seus limites precisam ser respeitados. cada um tem seu tempo. talvez essa dor signifique que você se cobra demais. e que na ânsia de se entregar por inteiro, você não percebe até onde pode ir sem se machucar". Tomei nota. Quando será que aprendo?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-5032318321000200859?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/5032318321000200859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=5032318321000200859&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5032318321000200859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/5032318321000200859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/02/dores-desnecessarias.html' title='Dores desnecessárias'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SYo-hQqZH8I/AAAAAAAAADg/fkjNG9Ii6JM/s72-c/120wi20yoga0we.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-1865287463392045834</id><published>2009-01-30T15:30:00.000-08:00</published><updated>2009-01-30T15:43:21.883-08:00</updated><title type='text'>Nobody Knows</title><content type='html'>Um dos vídeos mais fofos dos últimos tempos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/2_HXUhShhmY&amp;amp;color1=0xb1b1b1&amp;amp;color2=0xcfcfcf&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;feature=player_embedded&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/2_HXUhShhmY&amp;color1=0xb1b1b1&amp;color2=0xcfcfcf&amp;hl=pt-br&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"And she fights for her life..."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(&lt;strong&gt;Her Morning Elegance&lt;/strong&gt; - Oren Lavie)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-1865287463392045834?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/1865287463392045834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=1865287463392045834&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1865287463392045834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1865287463392045834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/01/nobody-knows.html' title='Nobody Knows'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-8319554953819281524</id><published>2009-01-30T13:35:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T02:51:24.201-08:00</updated><title type='text'>você não vai, não</title><content type='html'>não sei lidar com despedidas.&lt;br /&gt;com afastamentos.&lt;br /&gt;com perdas (nem com as necessárias).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;resisto, choro, sinto falta.&lt;br /&gt;me esforço pra construir atalhos&lt;br /&gt;- na memória e no cotidiano -&lt;br /&gt;que impeçam o retirante de fugir da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e sou, quase sempre, incansável e repetitiva.&lt;br /&gt;imaturidade ou carência, dizem.&lt;br /&gt;mas não quero perder essa mania.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-8319554953819281524?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/8319554953819281524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=8319554953819281524&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8319554953819281524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/8319554953819281524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/01/voce-nao-vai-nao.html' title='você não vai, não'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-519663712363294054</id><published>2009-01-24T19:36:00.000-08:00</published><updated>2009-01-24T19:51:00.761-08:00</updated><title type='text'>Alicerce</title><content type='html'>Texto lindo, lindo. Do blog Para Francisco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você vai aprender, filho. Que a intensidade pode roubar você de si mesmo. Que é preciso leveza para se pertencer. Você vai aprender a se distrair no meio do caminho – para ter o privilégio de errar. Vai aprender que as descobertas estão nos atalhos. E que é preciso alcançar o escuro denso para estar diante de todas as possibilidades. Você vai aprender a se deitar noite escura e amanhecer ensolarado. E vai entender que na perda mora o verdadeiro começo. Talvez você leve meia vida para isso. Talvez mais, como eu. Mas até lá, olha que sorte: eu vou estar segurando a sua mão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E uma música que me faz lembrar do meu porto-seguro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/tFlAvev7qM0&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Butterfly - Corine Bailey Rae&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In my mother's house&lt;br /&gt;there's a photograph&lt;br /&gt;of a day gone past&lt;br /&gt;always makes me laugh&lt;br /&gt;There's a little girl&lt;br /&gt;wary of the world&lt;br /&gt;she got much to learn&lt;br /&gt;get her fingers burned&lt;br /&gt;an infinty&lt;br /&gt;between you and me&lt;br /&gt;coz we're family&lt;br /&gt;said that i'd be fine&lt;br /&gt;give me all your time&lt;br /&gt;and I left your side&lt;br /&gt;like a butterfly&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;shower me with your love&lt;br /&gt;all of everyday&lt;br /&gt;you make the new gold sun&lt;br /&gt;shine on me&lt;br /&gt;lift me up so high&lt;br /&gt;watch me fly away&lt;br /&gt;would you live your life&lt;br /&gt;like a butterfly&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In my mother's house&lt;br /&gt;there was happiness&lt;br /&gt;I ride my myself in it&lt;br /&gt;was my cresolence&lt;br /&gt;as my life unfolds&lt;br /&gt;see a pattern through&lt;br /&gt;of you protecting me&lt;br /&gt;and i protecting you&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;what was i to say&lt;br /&gt;make your own mistakes&lt;br /&gt;make sure that you remain the same&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;now i realise&lt;br /&gt;what was on your mind&lt;br /&gt;when i left your side&lt;br /&gt;like a butter fly&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-519663712363294054?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/519663712363294054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=519663712363294054&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/519663712363294054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/519663712363294054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/01/alicerce.html' title='Alicerce'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-3921780163405640992</id><published>2009-01-20T18:57:00.000-08:00</published><updated>2009-01-20T19:23:26.761-08:00</updated><title type='text'>Eu preciso</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SXaVGoHVFtI/AAAAAAAAADA/FO5AVdJiGZU/s1600-h/SDC10791.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Preciso me &lt;strong&gt;alongar&lt;/strong&gt;. Ser mais flexível. Em todos os sentidos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Preciso &lt;strong&gt;silenciar&lt;/strong&gt;. Prestar mais atenção ao que está dentro. Tenho me distraído com coisas fáceis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Preciso &lt;strong&gt;respirar&lt;/strong&gt; fundo. Inspirar menos do mesmo. Tédio me tira o fôlego.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Preciso &lt;strong&gt;falar mais baixo&lt;/strong&gt;. Grito e não escuto meus exageros. As palavras viram zunidos depois.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Preciso &lt;strong&gt;beijar melhor&lt;/strong&gt;. Ando burocrática. E ele merece mais romantismo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Preciso &lt;strong&gt;parar de roer as unhas&lt;/strong&gt;. Quero vê-las sobreviver a minha ansiedade assassina.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Preciso &lt;strong&gt;tolerar defeitos&lt;/strong&gt;. Meus e dos outros. Qualidade difícil essa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Preciso &lt;strong&gt;reduzir&lt;/strong&gt; para um décimo meu perfeccionismo. As coisas nem sempre saem como gostaria, eu sei. Mas ainda frustam. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Preciso &lt;strong&gt;saborear as conquistas&lt;/strong&gt;. Me cumprimentar por elas. Costumo trocá-las por novos desafios.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Preciso me &lt;strong&gt;descomplicar&lt;/strong&gt;. Aceitar o que não posso compreender, o que não consigo ser, o que talvez não tenha solução. Simples assim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-3921780163405640992?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/3921780163405640992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=3921780163405640992&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3921780163405640992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3921780163405640992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/01/eu-preciso.html' title='Eu preciso'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-905697734113158790</id><published>2009-01-11T17:56:00.000-08:00</published><updated>2009-07-18T08:20:19.802-07:00</updated><title type='text'>Amor de peluda</title><content type='html'>&lt;p&gt;O que eu sinto por ela é coisa que não se explica.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-6790a1211f08bb0f" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v15.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D6790a1211f08bb0f%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330074138%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D61450F996E554BC4B0BC33193DD0F5DFAC0DE31F.3B526680C92F2A9FED2FA96D95ED4FE1EA780A9E%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D6790a1211f08bb0f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D1Hb4h-f5qpEmm_-CKeVEYKBBHVk&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v15.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D6790a1211f08bb0f%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330074138%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D61450F996E554BC4B0BC33193DD0F5DFAC0DE31F.3B526680C92F2A9FED2FA96D95ED4FE1EA780A9E%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D6790a1211f08bb0f%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D1Hb4h-f5qpEmm_-CKeVEYKBBHVk&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-905697734113158790?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=6790a1211f08bb0f&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/905697734113158790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=905697734113158790&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/905697734113158790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/905697734113158790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/01/amor-de-peluda.html' title='Amor de peluda'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-3991390997998682230</id><published>2009-01-07T18:41:00.000-08:00</published><updated>2009-01-07T20:24:45.445-08:00</updated><title type='text'>Mais areia na bunda</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SWV-_ol5VJI/AAAAAAAAAC4/gYBnOH4Ncv0/s1600-h/SDC11331.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288772969109738642" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SWV-_ol5VJI/AAAAAAAAAC4/gYBnOH4Ncv0/s320/SDC11331.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SWV9nI5R2jI/AAAAAAAAACo/jpNc-sxCI1s/s1600-h/SDC11331.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Olhei para os dois empanados de areia:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; os cílios pesados com aquela poeira fina, os dedos afundando num montinho (e depois na boca), o maiô PP todo desajeitado. Entretidos, com aquele sorriso silenciosamente concentrado. Fiquei hipnotizada. Meus priminhos estavam com três anos e haviam superado a fase colinho/chatices. Curiosa, a prima mais velha observava aquelas duas crianças na praia totalmente desligadas do que as cercava. E daí que o casal da mesa ao lado discutia aos berros? E que o protetor solar havia vencido há horas enquanto o sol torrava-lhes as costas? E que os pais, os tios e os amigos dos tios comentavam sobre um acidente de jet ski que acabara em morte naquele pedaço de mar em frente? E que a Faixa de Gaza gerava outra guerra no Oriente Médio? E que a crise financeira havia congelado vagas de emprego em 2009?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A única e desesperadora preocupação daqueles bochechudos era achar um bom palito de sorvete descartado no chão por algum mal-educado. Riscar os contornos do castelinho, certamente, era bem mais interessante. Concordei. Afastei minha cadeira de plástico e me estatelei naquela areia gelada. Não foi simples assim. Demorei pra entrar na "bolha" do Caio e da Andressa. Por alguns minutos, a fútil preocupação de que quando a brincadeira acabasse eu precisaria atravessar milhares de pessoas com a bunda imunda até a água... Verdade: quase desisti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me dei conta de quantas coisas deliciosas eu perdi na infância e mesmo agora (fase dita adulta) por medo de me sujar. De me importar com o que os outros pensam. E dar importância demais ao que eu mesma penso. Coisa chata se levar tão a sério. Aos poucos, consegui esquecer minha bunda, a areia grudada, algumas vizinhas e vizinhos de guarda-sol assistindo a cena. Quando enjoamos dos castelinhos e caminhei com eles até o mar, superando toda aquela aflição idiota, vem a Andressa e me solta: "Nat, agora a gente vai brincar de pega pega". Quem disse que eu lembrei dos quilos a mais, da parte de cima do biquini que fazia tentativas de fuga, do cabelo desgrenhado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-3991390997998682230?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/3991390997998682230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=3991390997998682230&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3991390997998682230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/3991390997998682230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/01/mais-areia-na-bunda.html' title='Mais areia na bunda'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SWV-_ol5VJI/AAAAAAAAAC4/gYBnOH4Ncv0/s72-c/SDC11331.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-1263912349939995596</id><published>2009-01-06T17:40:00.000-08:00</published><updated>2009-01-06T17:50:17.937-08:00</updated><title type='text'>Fica?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SWQIQ1zxirI/AAAAAAAAACI/G-SfiUwOF7o/s1600-h/SDC11210.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288360947854969522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SWQIQ1zxirI/AAAAAAAAACI/G-SfiUwOF7o/s320/SDC11210.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quem inventou essas diferenças absurdas que nos distinguem?&lt;br /&gt;E pq elas me fazem gostar mais ainda de vocês?&lt;br /&gt;Alguém imaginou que nós nos aproximaríamos tanto em pouco tempo?&lt;br /&gt;Que diabos se faz quando um colega de trabalho vira mais que colega de trabalho - e vai embora?&lt;br /&gt;A gente desencana, se adapta e deixa que o contato diário fique anual?&lt;br /&gt;Não sei lidar com perdas. Elas podem doer menos?&lt;br /&gt;Será que eu estou dramatizando logo no segundo post?&lt;br /&gt;Melhor parar, né?&lt;br /&gt;Tá. Beijomeligasempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-1263912349939995596?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/1263912349939995596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=1263912349939995596&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1263912349939995596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/1263912349939995596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/01/fica.html' title='Fica?'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SWQIQ1zxirI/AAAAAAAAACI/G-SfiUwOF7o/s72-c/SDC11210.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8752477931738275134.post-2420789024183163346</id><published>2009-01-06T12:05:00.000-08:00</published><updated>2009-07-18T08:22:58.183-07:00</updated><title type='text'>Não sei</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SWQANtn88OI/AAAAAAAAABw/-PvbumFhIXM/s1600-h/interroga%C3%A7ao.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288352098025271522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 143px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SWQANtn88OI/AAAAAAAAABw/-PvbumFhIXM/s320/interroga%C3%A7ao.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nem venha me perguntar: dúvidas não faltam por aqui.&lt;br /&gt;É bem provável que este blog tenha nascido para libertar alguns pontos de interrogação que metem o dedo na minha gastrite. E pras coisas - que pelo menos parecem - sem explicação mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Me avise se tiver alguma resposta. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8752477931738275134-2420789024183163346?l=oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/feeds/2420789024183163346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8752477931738275134&amp;postID=2420789024183163346&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2420789024183163346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8752477931738275134/posts/default/2420789024183163346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://oque-eutambemnaoentendo.blogspot.com/2009/01/no-sei.html' title='Não sei'/><author><name>nathalia.z</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11155391501995524166</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_29lX3AgYvcU/SWQANtn88OI/AAAAAAAAABw/-PvbumFhIXM/s72-c/interroga%C3%A7ao.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
